sábado, 13 de fevereiro de 2010

Máscaras...

Depus a Máscara

Depus a máscara e vi-me ao espelho. —
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

48 comentários:

  1. Olá Argos!

    Parabéns pela escolha de Álvaro de Campos.
    O heterónimo de Fernando Pessoa que mais gosto de ler..., na fase intimista ou Abúlica em que manifesta a desilusão com o Mundo em que vive, a tristeza, o cansaço...
    "O que há em mim é sobretudo cansaço" e que o leva a reflectir, de modo saudosista, sobre a sua infância, para ele a fase da felicidade plena... passada na "velha casa"...

    Um beijo e bom domingo.

    P.S. obrigada pelo carinho

    ResponderEliminar
  2. Álvaro de Campos,o heterónimo com que
    me identifico!
    Gostei de reler!
    Beijo.
    isa.

    ResponderEliminar
  3. Olá, amiga!
    Passei para rever seu cantinho e saber das novidades...
    Seu cantinho está cada vez mais surpreendente!...
    Um ótimo fim de semana!
    Ótimo Carnaval!
    Só alegria!...
    Beijinhos.
    Itabira - Brasil

    ResponderEliminar
  4. Lindo poema
    Muito bela escolha...desilusão...tristeza, num belo poema.

    Beijinhos
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  5. Olá, querido!
    Adorei a sua visita! Gosto de pessoas amáveis e gentis. São raras hoje em dia. Obrigada pelo carinho!

    Adoro Fernando Pessoa! Álvaro de Campos é demais e este poema e simplesmente tudo! Lindíssima escolha a sua! Obrigada pela partilha!

    Ser criança é permitir-se sonhar sempre, pois sem os sonhos o que seríamos? É a partir deles, que re.construímos a nós e ao mundo.

    Deixo-lhe um sonho meu + Beijos*************

    *VAMOS SONHAR

    Conosco há sempre uma força invisível um anjo que nos orienta nos impele constantemente para frente*

    Tagore


    Não me procures
    É só um momento
    Eu só me perco
    No espaço e no tempo
    Acalentada pelo lume de Deus
    Com a minha pele multicores
    Eu danço giro em meio às flores
    Emitem ondas de luz o corpo meu
    Acima das nuvens
    Além das tormentas
    Sempre sinto a estranha
    Necessidade de sonhar
    Leva-me ao Paraíso
    No meio das árvores
    Aqui não há espinhos
    Nas flores e nas rosas
    Lá frutas impenetráveis
    Tapetes verdinhos
    Esse canto de Paraíso existe
    Eu tenho certeza*

    Adorei o seu espaço! Há Paz e Amor*
    Boas-Vindas!
    Renata

    ResponderEliminar
  6. Lindo poema.Não fosse de Fernando Pessoa
    Abraço

    ResponderEliminar
  7. Olá amigo Argos,
    Como muito bem diz o poema... todos nós usamos uma máscara. A mascara do trabalho, a do amante a do amigo, a do bloguista... O mais importante, tal como inicia o poema Depus a máscara e vi-me ao espelho. ...no fim de cada dia, no fim da vida...nada tenha mudado, e que todas as mascaras sejam apenas rostos de uma mesma alma coerente e em paz!

    ResponderEliminar
  8. Feliz día de los enamorados todos los días de nuestras vidas.

    Besitos dulces.

    ResponderEliminar
  9. Lindo poema.Parabéns pela escolha e por compartilhar.
    BOM FDS......Beijos M@ria

    ResponderEliminar
  10. El poema nos induce a la reflexión.
    Hemos de ser auténticos en todos los momentos de la vida..A veces nos sobreponemos a la circunstancisas y utilizamos la máscara de la fortaleza interior,que es digna,respetuosa y equilibrada..También utilizamos la máscara de la educación,cuando a veces estamos heridos y deseamos estallar..Creo,que estas máscaras nos ayudan a ser mejores y no dejarnos llevar por el instinto y el cansancio.

    Mi felicitación y mi abrazo para Argos,Tetis y Poseidón.
    M.Jesús

    ResponderEliminar
  11. Ola... bom dia..

    Nao gosto de canaval..

    Gosto... a sinceridade e o falso self... não...

    Ainda que tambien uma sinceridade educada.. e cuidadosa..

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  12. Olá amigo Argos

    Fernando Pessoa é daqueles que é sempre bem-vindo, nunca cansa!...

    As "máscaras" de que ele se socorreu para conseguir viver, sobreviver, são talvez uma das mais poderosas facetas da sua genialidade.

    Quem como ele soube tão bem utilizá-las? Quem com tão grande arte soube colocá-las e tirá-las de acordo com as mais variadas situações?

    Deixo aqui um excerto da "Tabacaria" (de Álvaro de Campos) onde também está bem patente essa sua forma de tirar e colocar "as máscaras".

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime...


    Parabéns.

    Um grande abraço muito amigo

    ResponderEliminar
  13. ¿Crees en el Amor Eterno? En Más allá de los Sueños, te invitamos a soñar con un relato desgarrador, que seguro te hará desear que exista. He tenido el placer de participar esta vez con mi compañero Montxu. Esperamos que os guste.
    La dire del blog: http://gara-dreams.blogspot.com/

    Besos

    ResponderEliminar
  14. Hola Poseidón:

    Soy un "haz de luz" un tanto confuso ;0) pues he usado el traductor de Google para leer tu poema...

    ¡creo que no me he enterado gran cosa, lo siento :0)!

    Aunque por mi intuición te puedo decir que es bello quitarnos alguna vez nuestras máscaras, pues veremos nuestro verdadero ser reflejado en el espejo...

    Bueno eso es lo que me ha inspirado a mí...

    Un abrazo, amigo.

    ResponderEliminar
  15. que buen poema, muy buena la metáfora de la máscara... un gran saludo desde Buenos Aires.. daniel

    ResponderEliminar
  16. Meu amigo Argos,

    Pues también pienso como M.Jesús, debemos ser auténticos en todos los momentos de la vida, de esa manera estamos más en acuerdo con nosotros mismos para no engañarnos y sentir equilbrio.

    Es tb cierto que la vida es como un teatro y tenemos un papel que jugar, por veces en esos momentos usamos las mascaras siguientes :

    La que queremos enseñar para enfrentar.

    La que los otros ven

    La que creemos tener

    O las tres a la vez para hacer una sola !

    Y tal vez esas del carnaval para jugar, disfrutar y olvidar…

    Te dejo aqui este lindo poema de
    PAUL VERLAINE

    Poème
    Clair de lune

    Votre âme est un paysage choisi
    Que vont charmant masques et bergamasques
    Jouant du luth et dansant et quasi
    Tristes sous leurs déguisements fantasques

    Tout en chantant sur le mode mineur
    L'amour vainqueur et la vie opportune,
    Ils n'ont pas l'air de croire à leur bonheur
    Et leur chanson se mêle au clair de lune,

    Au calme clair de lune triste et beau,
    Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
    Et sangloter d'extase les jets d'eau,
    les grands jets d'eau sveltes parmi les marbres

    Um grande abraço amigo

    ResponderEliminar
  17. Tem Selinho prá voce......venha buscar

    "Seu blog é um luxo"

    Com carinho lhe ofereço...Beijos!

    ResponderEliminar
  18. Boa noite.
    Muito obrigado por tua visita.
    Gostei da sua postagem.
    Alvaro de Campos,estudei esse texto na faculdade.
    Parabéns pela escolha.
    Um beijo grande.

    ResponderEliminar
  19. Argos,

    Sempre maravilhoso Álvaro/Pessoa....
    Gratíssima por sua visita, o que muito me honra e alegra, sempre!

    Uma ótima semana!!

    Beijos,

    Reggina Moon

    ResponderEliminar
  20. A veces necesitamos de las máscaras para acercarnos mas a nuestra, porque las encontramos más adecuada para el ser que la cara que tenemos. Hermoso lo escrito. Un abrazo a los tres

    ResponderEliminar
  21. Nobre colega Argos,

    A máscara que esconde um rosto é apenas uma falsa verdade, mas a máscara que não esconde o rosto é uma verdade falsa.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  22. Nobre colega Tétis,

    Outro precioso post.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  23. Nobre colega Argos,

    Desculpe ter colocado indevidamente (apenas pelo destino do comnetário)a mensagem acima em sua postagem, quando deveria ser uma resposta do post acima.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  24. Olá Alma Inquieta

    Fico feliz por a escolha de Álvaro de Campos ser do teu agrado.
    Relativamente ao “saudosismo”, julgo que é uma faceta inerente a todos os portugueses.
    E a infância? A maioria de nós tem saudades desses anos despreocupados em que nos sentíamos protegidos de todos os malefícios do mundo.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  25. Olá Isa

    Porque será?
    Porque é que nos identificamos e nos sentimos inquietos com Álvaro de Campos?

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  26. Olá Inês

    Ainda bem que gostas de visitar o nosso cantinho!
    Volta sempre, és bem-vinda.

    Obrigado pela simpatia e um grande abraço dos amigos do Farol

    Tétis, Poseidón e Argos

    ResponderEliminar
  27. Sonhadora

    Concordo contigo, um bom poema para reflectir.
    Mas será tudo desilusão e tristeza?
    Não haverá também uma tentativa de reencontro?

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  28. Renata

    A equipa do Farol ficou feliz por teres gostado da nossa visita.
    Tentamos, entre os três, visitar todos os amigos e agradecer a vossa simpatia que nos faz seguir em frente, mas por vezes é complicado ir a todos os blogs.
    Agradecemos o poema que aqui nos deixaste e vamos tentar sempre SONHAR!

    Um abraço dos amigos do Farol

    Tétis, Poseidón e Argos

    ResponderEliminar
  29. Andrade

    Concordo consigo: tinha que ser Fernando Pessoa!
    As mensagens dele são sempre actuais!

    Abraço

    ResponderEliminar
  30. Olá Sight

    Concordo consigo. Todos nós usamos máscaras.
    Mas…ao depor a máscara em frente ao espelho…o que vemos?

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  31. Hadaluna

    Agradeço, ainda que um pouco atrasado, os votos de um feliz dia de Namorados.
    Todos os dias devem ser felizes e sem máscaras!

    Um abraço

    ResponderEliminar
  32. Olá Maria

    Uma das coisas boas da blogosfera é isso mesmo que dizes: compartilhar!
    Obrigado eu, pelos teus blogs e pelos poemas que lá publicas.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  33. M. Jesus

    Concordo, este poema induz a uma profunda reflexão sobre a nossa autenticidade.
    O pior é que perante todas as exigências da sociedade, são cada vez mais as máscaras que utilizamos e cada vez maior o perigo de perdermos o nosso verdadeiro rosto!

    Um abraço dos amigos do farol

    Tétis, Poseidón e Argos

    ResponderEliminar
  34. Olá Estrella Altair

    Vou confessar uma coisa: Também não gosto do Carnaval.
    Gosto de sinceridade e amizade. Gosto de poder confiar nos amigos!

    Um grande abraço dos amigos

    Tétis, Poseidón e Argos

    ResponderEliminar
  35. Amiga Tétis

    Fernando Pessoa não cansa!
    Fernando Pessoa é uma constante em todos o momentoso da vida, assim como (infelizmente?) as máscaras…os elmos…os muros…as paredes…
    Saberemos nós manuseá-las tão bem como ele?
    Soube mesmo?

    Abraço muito grande

    ResponderEliminar
  36. Olá Gara

    Creio pelo menos num amor eterno!
    Visitaremos “Más allá de los Sueños” e com certeza que vamos gostar!

    Um grande abraço da equipa do Farol

    Tétis, Poseidón e Argos

    ResponderEliminar
  37. Hola Mar Solana

    Daqui Argos, amigo de Poseidón e um dos membros da equipa do Farol!
    Para que seja mais fácil entender este profundo poema de Álvaro de Campos, deixo aqui a tradução em castelhano de “Depus a Máscara”.
    Espero que gostes!

    Depuse la máscara y me vi al espejo. —
    Era el niño de hace cuántos años.
    No había cambiado nada...
    Es esa la ventaja de saber sacar la máscara.
    Se es siempre el niño,
    El pasado que fue
    El niño.
    Depuse la máscara, y volví a ponerla.
    Así es mejor,
    Así sin la máscara.
    Y vuelvo a la personalidad como a un términus(*) de línea.

    (*) N.d.T: En latín en el original.

    Um abraço de todos os amigos do Farol

    Tétis, Póseidón e Argos

    ResponderEliminar
  38. Olá Daniel

    Um Repto para ti:
    Uma foto tua com esta denominação – Máscaras – aceitas o desafio?

    Um grande abraço dos Amigos do Farol

    Tétis, Póseidón e Argos

    ResponderEliminar
  39. Grande amigo Poseidón

    Obrigado pelo poema de Verlaine, tu bem sabes que gosto de todos os poetas malditos!
    Quanto ás máscaras...hoje depus a minha, as minhas... estou demasiado cansado.

    Abraço de amizade

    ResponderEliminar
  40. Maria

    Olá outra vez!
    Foi com enorme prazer que a equipa do Farol recebeu esta mensagem sobre o selinho!
    Muito obrigado, ficamos sensibilizados e um grande, grande abraço

    Tétis, Póseidón e Argos

    ResponderEliminar
  41. Pérola

    Não tem que agradecer, o seu blog merece todas as visitas.
    Fico feliz por ter gostado do poema!

    Um abraço

    ResponderEliminar
  42. Olá Reggina

    Não tem que agradecer o facto de nós visitarmos o seu blog, o prazer, acredite, é nosso!
    Álvaro/Pessoa...máscara/ máscara?

    Abraço

    ResponderEliminar
  43. Olá Belkis

    Se precisamos de máscaras para esconder o nosso rosto, o que significa o nosso “eu”?

    Um abraço dos três amigos

    Tétis, Póseidón e Argos

    ResponderEliminar
  44. Amigo Mar

    Com uma “falsa verdade” e uma “verdade falsa” onde fica a “verdade verdadeira”?

    Abraço

    ResponderEliminar
  45. Amigo Mar

    Com uma “falsa verdade” e uma “verdade falsa” onde fica a “verdade verdadeira”?

    Abraço

    ResponderEliminar
  46. Nobre colega Argos,

    A verdade verdadeira é aquela que não utiliza nenhum tipo de disfarce.

    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  47. Amigo Mar

    Uma óptima resposta!

    abraço e obrigado

    ResponderEliminar
  48. Lamento, mas o poema diz "assim SOU a máscara" e não "sem a máscara".
    Leiam aqui: http://arquivopessoa.net/textos/263

    Assim muda o sentido todo.

    Abraço, Isabel

    ResponderEliminar

Cada comentário a este post é mais um Facho de Luz que nos ilumina.
Mas, se apenas quiser assinalar a sua presença, dar-nos um recadinho ou dizer-nos um simples “olá”, poderá também fazê-lo no nosso Mural de Recados.
A equipa do Farol agradece o vosso carinho e Amizade.