quarta-feira, 20 de novembro de 2019

José Mário Branco, a morte do poeta da resistência


José Mário Branco (25 de Maio de 1942 - 19 de Novembro de 2019)

A manhã despertou cinzenta e o poeta morreu. José Mário Branco, o músico, o produtor mas essencialmente um grande poeta, um grande escrevedor de canções, partiu e deixou-nos um pouco mais pobres. Toda a sua arte mas também toda a sua insubmissão, toda a sua inquietação, são ingredientes fundamentais para a compreensão de uma boa parte da nossa história contemporânea. Se alguma coisa José Mário Branco foi – e ele foi tantas coisas - , ou seja, se pode ser classificado, é como poeta de uma ideia originária de resistência. José Mário Branco resistiu a Salazar, resistiu às apropriações culturais e políticas da sua obra, resistiu à normalização do regime político, recusou comendas e prebendas, encontrou sempre um átomo de insatisfação social, ao lado dos mais fracos e desprotegidos, dos deserdados do alegado progresso.

A sua luta foi Portugal e os portugueses, a igualdade e a liberdade, a cultura e o conhecimento. E, aí, a sua inteligência artística blindou sempre o que a sua obra tem de intervenção política, protegendo-a da apropriação por sectarismos e fanatismos de ocasião. A forma como abraçou o fado e se transformou no seu melhor produtor, através da influência discreta e sempre de enorme sensibilidade da sua companheira de sempre, Manuela de Freitas, é um exemplo acabado do seu espírito aberto, inquieto e ecuménico (palavra estranha em José Mário Branco mas muito apropriada). José Mário Branco é, por isso, património de todos os que amam a liberdade e sonham com uma sociedade um pouco mais equilibrada, mais digna, mais justa, mais redistributiva. E a sua inquietação, que vem de muito longe, vai perdurar por muitos anos como motor de transformação individual e social. Bem hajas, grande e inolvidável poeta e cantor!


(In: Sábado, Vida, Detalhe, Opinião, 19.11.2019)





sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Como se quiere a un gato..


Ama a las personas
Como se quiere a un gato:
Con su carácter y su independencia,
Sin intentar domarlo,
Sin intentar cambiarlo,
Dejando que se acerque cuando quiera.
Siendo feliz
Con su felicidad