O poeta Manoel de Barros (Manoel Wenceslau Leite de Barros, nasceu em Cuiabá, MT, 1916) é reconhecidamente um dos principais poetas contemporâneos do Brasil. Sua poesia trata essencialmente da beleza de coisas simples, desvinculadas dos temas recorrentes da poesia erudita. Seu estilo foi influenciado, entre outros, pela poesia de Oswald de Andrade (poeta modernista brasileiro), Rimbaud (poeta francês do século XIX) e de toda a obra do Padre Antonio Vieira, do poeta argentino Jorge Luís Borges e de João Guimarães Rosa.
Seu primeiro livro de poesia, Poemas Concebidos Sem Pecado, foi publicado em 1937, o qual deu seguimento a Face Imóvel (1942), Poesias (1946), Compêndio para Uso dos Pássaros (1961), Gramática Expositiva do Chão (1969), Matéria de Poesia (1974), O Guardador de Águas (1989), Retrato do Artista Quando Coisa (1998), O Fazedor de Amanhecer (2001), entre outros.
O poema “O Apanhador de Desperdícios”” consta no livro "Memórias Inventadas: a Infância" (2003).
O Apanhador de Desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das
tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos,
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das
tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos,
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.
Sin palabras, solo puedo decir fantastico.
ResponderEliminarBesazos
Que bella entrada a sido un placer visitarte hoy que disfrutes del fin de semana, ..
ResponderEliminarbesitossssssss
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____$__$_$ • DEJANDOTE•
__$$$ • MILES.......•
$_ DE SONRISAS.
QUE DISFRUTES DE UN BUEN FIN DE SEMANAAA
ABRAZOSSS DE TU AMIGO
Obrigada por me darem a conhecer este poeta!
ResponderEliminarPalavra forte,viva.Ideias de que gostei.
Beijo.
isa.
No conocía a este poeta. Gracias por acercárnoslo y dejarnos disfrutar de sus letras, pues me ha gustado mucho la poesía que nos has dejado en este post.
ResponderEliminarUn abrazo con cariño,
Leonor
É sempre um prazer viajar por aqui... Bom fim de semana para todos os amigos do Farol
ResponderEliminarLa poesía de la sencillez diría yo y qué hermosa.
ResponderEliminarNo hace falta ser erudito en todas y cada una de las palabras que dices o escribes. Pero para hacer un poema así, si que hay que poseer erudición. ESo creo.
Me gustan especialmente los dos primeros versos porque están muy cerca de algo que escribí hace poquito acerca precisamente de los silencios.
Bicos
Argos
ResponderEliminarPenso como tu e sinto que cada vez mais se banalizam duaspalavras tão importantes...
AMOR e AMIZADE.
e por vezes cada desilusão... mas...
é o mundo que construimos.
Um carinho para ti
Los poetas, los aristas, los músicos, son los artesanos del silencio.
ResponderEliminarBesos:)
interesante lo voy a tener en cuenta para mi blog de literatura, gracias por el apoyo a mi nuevo espacio, les mando un saludo... Daniel
ResponderEliminarSou fâ do Manoel de Barros e das suas "despalavras".
ResponderEliminarBeijos.
Nobres colegas,
ResponderEliminarObrigado pela postagem e os seus comentários.
A simplicidade é o grande desperdício dos dias atuais. Cabe a cada um saber apanhar os seus prórios desperdícios.
Um grande abraço
Tétis, Poseidón e Argos agradecem a todos os amigos que vieram até aqui conhecer e homenagear este grande poeta.
ResponderEliminarUm obrigado especial ao amigo Mar que nos deu a conhecer este belíssimo autor, Manoel de Barros, que "joga" com as palvras, compondo frases sérias e apanhando os desperdícios de todos.
Um repto a todos nós: Vamos seguir o exemplo e dar mais importância às coisas "desimportantes" e apender a "usar a palavra para compor silêncios"!
Um grande abraço