terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A un olmo seco..


A un olmo seco (Antonio Machado).

Al olmo viejo, hendido por el rayo
y en su mitad podrido,
con las lluvias de abril y el sol de mayo
algunas hojas verdes le han salido.

¡El olmo centenario en la colina
que lame el Duero! Un musgo amarillento
le mancha la corteza blanquecina
al tronco carcomido y polvoriento.

No será, cual los álamos cantores
que guardan el camino y la ribera,
habitado de pardos ruiseñores.

Ejército de hormigas en hilera
va trepando por él, y en sus entrañas
urden sus telas grises las arañas.

Antes que te derribe, olmo del Duero,
con su hacha el leñador, y el carpintero
te convierta en melena de campana,
lanza de carro o yugo de carreta;
antes que rojo en el hogar, mañana,
ardas en alguna mísera caseta,
al borde de un camino;
antes que te descuaje un torbellino
y tronche el soplo de las sierras blancas;
antes que el río hasta la mar te empuje
por valles y barrancas,
olmo, quiero anotar en mi cartera
la gracia de tu rama verdecida.
Mi corazón espera
también, hacia la luz y hacia la vida,
otro milagro de la primavera.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

José Mário Branco, a morte do poeta da resistência


José Mário Branco (25 de Maio de 1942 - 19 de Novembro de 2019)

A manhã despertou cinzenta e o poeta morreu. José Mário Branco, o músico, o produtor mas essencialmente um grande poeta, um grande escrevedor de canções, partiu e deixou-nos um pouco mais pobres. Toda a sua arte mas também toda a sua insubmissão, toda a sua inquietação, são ingredientes fundamentais para a compreensão de uma boa parte da nossa história contemporânea. Se alguma coisa José Mário Branco foi – e ele foi tantas coisas - , ou seja, se pode ser classificado, é como poeta de uma ideia originária de resistência. José Mário Branco resistiu a Salazar, resistiu às apropriações culturais e políticas da sua obra, resistiu à normalização do regime político, recusou comendas e prebendas, encontrou sempre um átomo de insatisfação social, ao lado dos mais fracos e desprotegidos, dos deserdados do alegado progresso.

A sua luta foi Portugal e os portugueses, a igualdade e a liberdade, a cultura e o conhecimento. E, aí, a sua inteligência artística blindou sempre o que a sua obra tem de intervenção política, protegendo-a da apropriação por sectarismos e fanatismos de ocasião. A forma como abraçou o fado e se transformou no seu melhor produtor, através da influência discreta e sempre de enorme sensibilidade da sua companheira de sempre, Manuela de Freitas, é um exemplo acabado do seu espírito aberto, inquieto e ecuménico (palavra estranha em José Mário Branco mas muito apropriada). José Mário Branco é, por isso, património de todos os que amam a liberdade e sonham com uma sociedade um pouco mais equilibrada, mais digna, mais justa, mais redistributiva. E a sua inquietação, que vem de muito longe, vai perdurar por muitos anos como motor de transformação individual e social. Bem hajas, grande e inolvidável poeta e cantor!


(In: Sábado, Vida, Detalhe, Opinião, 19.11.2019)





sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Como se quiere a un gato..


Ama a las personas
Como se quiere a un gato:
Con su carácter y su independencia,
Sin intentar domarlo,
Sin intentar cambiarlo,
Dejando que se acerque cuando quiera.
Siendo feliz
Con su felicidad

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Impressão digital



Impressão digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandescente.

Inútil seguir vizinhos,
que ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

(António Gedeão, “Poesias Completas”)

domingo, 6 de outubro de 2019

Yo no borro nada en mi vida…


“Yo no borro nada en mi vida…
Cada cosa,
Cada mínima cosa,
Me hizo lo que soy ahora…
Las cosas buenas me han
Enseñado a amar la vida.
Las cosas malas a saberla
Vivir…”



Me quedo con estas cosas buenas: