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segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Anoche cuando dormía;...

 




Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que una fontana fluía
dentro de mi corazón.

Di: ¿por qué acequia escondida,
agua, vienes hasta mí,
manantial de nueva vida
en donde nunca bebí?

Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que una colmena tenía
dentro de mi corazón;

y las doradas abejas
iban fabricando en él,
con las amarguras viejas,
blanca cera y dulce miel.

Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que un sol ardiente lucía
dentro de mi corazón.

Era ardiente porque daba
calores de rojo hogar,
y era sol porque alumbraba
y porque hacía llorar.

Anoche cuando dormía
soñé, ¡bendita ilusión!,
que era Dios lo que tenía
dentro de mi corazón.

Antonio Machado

domingo, 13 de dezembro de 2020

Carpe Diem



Colhe o Dia, porque És Ele

Uns, com os olhos postos no passado, 
Vêem o que não vêem: outros, fitos 
Os mesmos olhos no futuro, vêem 
O que não pode ver-se. 

Por que tão longe ir pôr o que está perto — 
A segurança nossa? Este é o dia, 
Esta é a hora, este o momento, isto 
É quem somos, e é tudo. 

Perene flui a interminável hora 
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto 
Em que vivemos, morreremos. Colhe 
O dia, porque és ele.

(Ricardo Reis)


Obs. Os últimos posts de Poseidón lembraram-me este magnífico poema de Ricardo Reis...

sábado, 20 de junho de 2020

Verão 2020 - Entardecer


No entardecer dos dias de Verão...

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...

Ah!, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos...

Mas Graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma coisa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma coisa a menos,
E deve haver muita coisa
Para termos muito que ver e ouvir...


“O Guardador de Rebanhos”. In: Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Canção do dia de sempre



Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

sábado, 21 de março de 2020

Dia Mundial da Árvore



O Dia Mundial da Árvore ou da Floresta celebra-se anualmente a 21 de Março no hemisfério norte e a 21 de Setembro no hemisfério sul, coincidindo com o início da Primavera.

O objectivo da comemoração do Dia Mundial da Árvore é sensibilizar a população para a importância da preservação das árvores, quer ao nível do equilíbrio ambiental e ecológico, quer da própria qualidade de vida da população.

Estima-se que 1000 árvores adultas absorvem cerca de 6000 kg de CO2 (dióxido de carbono) e por isso as florestas são consideradas “pulmões do mundo”.

A celebração do Dia Mundial da Árvore ou da Floresta começou a 10 de Abril de 1872, no estado norte-americano do Nebraska (EUA). O seu mentor foi o jornalista e político Julius Sterling Morton, que incentivou a plantação ordenada de árvores no Nebraska, promovendo o "Arbor Day".


...***...


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Árvore Cortada

Cortaram a árvore cheia de vida, cortaram
E os frutos que ela produzia se acabaram
E chega alguém e diz
Acabou a história aqui
Mais ainda bem que a resposta vem do céu
E a última palavra
Quem determina ainda é Deus
Alguém diz só restou raiz
Mais Deus diz tem vida ai e eu vou restituir
A esperança para a árvore cortada
Novamente crescera ao cheiro das águas
E se caso envelheceu na terra a sua raiz
Ou se o seu tronco morreu
Ouça bem o que Deus diz
Ainda há esperança a alegria vai chegar
E tudo novamente ira voltar ao seu lugar
A água já esta presente, e vai começar regar
Vai ser tão lindo o testemunho que você ira contar
Eu fui uma árvore cortada mais ao cheiro das águas
Vi Deus minha vida restaura
Mais ainda bem que a resposta vem do céu
E a última palavra quem determina ainda é Deus
Alguém diz só restou raiz
Mais Deus diz tem vida ai e eu vou restituir
Ainda há esperança para a árvore cortada
Novamente crescera ao cheiro das águas
E se caso envelheceu na terra a sua raiz
Ou se o seu tronco morreu, ouça bem o que Deus diz
Ainda há esperança a alegria vai chegar
E tudo novamente ira voltar ao seu lugar
A água já esta presente, e vai começar regar
Vai ser tão lindo o testemunho que você ira contar
Eu fui uma árvore cortada mais ao cheiro das águas
Vi Deus minha vida restaura
Restauro meus sonhos, restauro a minha fé
E sobre a minha saúde ele me colocou de pé
Restauro a minha casa e toda a minha família
E hoje todos nós te servimos com alegria
E toda vez que eu escutava alguém dizer
Até tinha estrutura mais veio a morrer
E lembrava da promessa pra não desanimar
Essa promessa me dizia, essa promessa me garantia
Que ainda há esperança para a árvore cortada
Novamente crescera ao cheiro das águas
E se caso envelheceu na terra a sua raiz
Ou se o seu tronco morreu, ouça bem o que Deus diz
Ainda há esperança a alegria vai chegar
E tudo novamente ira voltar ao seu lugar
É que a água esta presente, e vai começar regar
Vai ser tão lindo o testemunho que você ira contar
Eu fui uma árvore cortada mais ao cheiro das águas
Vi Deus minha vida restaura
Eu fui uma árvore cortada mais ao cheiro das águas
Vi meu ministério Deus levantar
Eu fui uma árvore cortada mais ao cheiro das águas
Vi minha saúde Deus tocar
Eu fui uma árvore cortada mais ao cheiro das águas
Vi minha família Deus salvar


quinta-feira, 5 de março de 2020

Em todos os jardins...



Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.


(Sophia de Mello Breyner Andresen)


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

José Mário Branco, a morte do poeta da resistência


José Mário Branco (25 de Maio de 1942 - 19 de Novembro de 2019)

A manhã despertou cinzenta e o poeta morreu. José Mário Branco, o músico, o produtor mas essencialmente um grande poeta, um grande escrevedor de canções, partiu e deixou-nos um pouco mais pobres. Toda a sua arte mas também toda a sua insubmissão, toda a sua inquietação, são ingredientes fundamentais para a compreensão de uma boa parte da nossa história contemporânea. Se alguma coisa José Mário Branco foi – e ele foi tantas coisas - , ou seja, se pode ser classificado, é como poeta de uma ideia originária de resistência. José Mário Branco resistiu a Salazar, resistiu às apropriações culturais e políticas da sua obra, resistiu à normalização do regime político, recusou comendas e prebendas, encontrou sempre um átomo de insatisfação social, ao lado dos mais fracos e desprotegidos, dos deserdados do alegado progresso.

A sua luta foi Portugal e os portugueses, a igualdade e a liberdade, a cultura e o conhecimento. E, aí, a sua inteligência artística blindou sempre o que a sua obra tem de intervenção política, protegendo-a da apropriação por sectarismos e fanatismos de ocasião. A forma como abraçou o fado e se transformou no seu melhor produtor, através da influência discreta e sempre de enorme sensibilidade da sua companheira de sempre, Manuela de Freitas, é um exemplo acabado do seu espírito aberto, inquieto e ecuménico (palavra estranha em José Mário Branco mas muito apropriada). José Mário Branco é, por isso, património de todos os que amam a liberdade e sonham com uma sociedade um pouco mais equilibrada, mais digna, mais justa, mais redistributiva. E a sua inquietação, que vem de muito longe, vai perdurar por muitos anos como motor de transformação individual e social. Bem hajas, grande e inolvidável poeta e cantor!


(In: Sábado, Vida, Detalhe, Opinião, 19.11.2019)





terça-feira, 22 de outubro de 2019

Impressão digital



Impressão digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandescente.

Inútil seguir vizinhos,
que ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

(António Gedeão, “Poesias Completas”)

domingo, 21 de julho de 2019

Saudades


Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!


(Florbela Espanca)

domingo, 27 de janeiro de 2019

Las tardes de Enero


Las tardes de Enero

Va cayendo la noche: La bruma
ha bajado a los montes el cielo:
Una lluvia menuda y monótona
humedece los árboles secos.
El rumor de sus gotas penetra
hasta el fondo sagrado del pecho,
donde el alma, dulcísima, esconde
su perfume de amor y recuerdos.
¡Cómo cae la bruma en el alma!
¡Qué tristeza de vagos misterios
en sus nieblas heladas esconden
esas tardes sin sol ni luceros!
En las tardes de rosas y brisas
los dolores se olvidan, riendo,
y las penas glaciales se ocultan
tras los ojos radiantes de fuego.
Cuando el frío desciende a la tierra,
inundando las frentes de invierno,
se reflejan las almas marchitas
a través de los pálidos cuerpos.
Y hay un algo de pena insondable
en los ojos sin lumbre del cielo,
y las largas miradas se pierden
en la nada sin fe de los sueños.
La nostalgia, tristísima, arroja
en las almas su amargo silencio,
Y los niños se duermen soñando
con ladrones y lobos hambrientos.
Los jardines se mueren de frío;
en sus largos caminos desiertos
no hay rosales cubiertos de rosas,
no hay sonrisas, suspiros ni besos.
¡Como cae la bruma en el alma
perfumada de amor y recuerdos!
¡Cuantas almas se van de la vida
estas tardes sin sol ni luceros!

(Juan Ramón Jiménez Mantecón)