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sábado, 19 de junho de 2021

O Homem e os "outros" animais

 


O principal sinal de humanidade é a maneira como os seres humanos tratam os animais. O ser realmente humano seria incapaz de tratar mal um animal. O ser realmente sensível e pensante, carinhoso por sentimento e prestável por sistema, teria a delicadeza da superioridade. Há-de reparar-se que as pessoas e as civilizações mais brutas são as que mais maltratam os animais. É preciso um mínimo de humanidade para se ter pena dos bichos. Os bichos não são gente, mas não têm culpa de não ser. Nós temos.

Por enquanto ainda tratamos os animais como os animais que somos. Tratamo-los como eles, caso mandassem nos seres humanos, nos tratariam a nós. Só que pior. Matamo-los, comemo-los, batemos-lhe, abandonamo-los. Tratamo-los como iguais porque ainda somos iguais a eles. Os animais tratam mal os animais diferentes deles. No dia em que formos superiores cuidaremos deles como deve ser.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Grande Barreira de Coral Australiana


67% dos corais da parte Norte da Grande Barreira estão mortos
Serão precisos dez a 15 anos para que se recuperem os corais


Sessenta e sete por cento dos corais no Norte da Grande Barreira da Austrália, que fica no Nordeste do país, morreu nos últimos oito ou nove meses, de acordo com um estudo científico divulgado nesta segunda-feira.

"Esta região tinha escapado, com pequenos danos, à descoloração entre 1998 e 2002, mas desta vez foi realmente afectada", disse Terry Huhes, diretor do Conselho de Investigação Australiana, que conduziu o levantamento aéreo da área.

"A boa notícia é que dois terços dos corais no Sul da Grande Barreira escaparam com danos mínimos", disse Andrew Baird, do mesmo Conselho, que dirigiu os mergulhos realizados em Outubro e Novembro.

Especialistas estimam que a região Norte da Grande Barreira de Coral precisará de dez a 15 anos para recuperar os corais, a menos que as alterações climáticas modifiquem os ciclos e façam com que se reproduzam mais rapidamente.

Vários estudos científicos publicados este ano alertaram para o mau estado dos corais da Grande Barreira que, com os seus 2300 quilómetros de extensão, é o maior sistema de corais do mundo e considerado Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).


A Grande Barreira de Coral, que abriga 400 tipos de corais, 1500 espécies de peixes e 4000 variedades de moluscos, começou a deteriorar-se na década de 1990 devido ao aquecimento do oceano e ao aumento da acidez da água pelo aumento da presença de dióxido de carbono na atmosfera.

Uma grande parte dos corais da zona Sul conseguiram escapar com danos mínimos, verificaram os mergulhadores

In: Público, 28 Nov. 2016

domingo, 26 de julho de 2015

Cegonha


A ti, Argos, dedico este post que concebi pensando no quanto admiras esta ave tão comum no nosso Portugal. Termino-o com a bela e inesquecível canção do não menos inesquecível Carlos Paião que sei, é uma das tuas preferidas do seu imenso e criativo reportório.

Cegonha-Branca (Ciconia ciconia)


As cegonhas (Ciconia spp.) são aves da família Ciconiidae com cerca de 1 metro de altura e 3 kg de peso. Migratórias e monogâmicas, estas aves caracterizam-se por emitir sons através do bater dos bicos, actividade a que se dá o nome de “gloterar”.

De habitat variado, as cegonhas vivem em locais como campos abertos, margens de lagos e lagoas, zonas pantanosas, prados húmidos, várzeas, cidades, pântanos, pastagens e falésias.

Alimentam-se de pequenos vertebrados, como rãs, lagartos, cigarras, cobras, insectos, minhocas e peixes.

As crias das cegonhas, nascem na Primavera de uma postura de cerca de 3 a 5 ovos e de uma incubação entre 20 a 30 dias. É interessante ver a atitude protectora da cegonha-mãe que quando chove abre as asas para proteger as crias indefesas.

Existem várias espécies de cegonhas: a Cegonha-de-abdim (Ciconia abdimii), a Ciconia episcopus, a Cegonha-de-storm (Ciconia stormi), a Maguari (Ciconia maguari), a Cegonha-branca-oriental (Ciconia boyciana), a Cegonha-branca (Ciconia ciconia) e a Cegonha-preta (Ciconia nigra).

Em Portugal a cegonha-branca é uma das duas espécies do género Ciconia mais conhecidas da nossa fauna. Mais comum do que a cegonha-preta, a cegonha-branca é reconhecível por todos devido à sua tonalidade branca e preta e ao seu característico bico vermelho.
Por procurar ambientes quentes, é vulgar avistarem-se populações de cegonhas brancas principalmente na região centro, tornando-se assim uma ave bastante característica da paisagem portuguesa. A sua presença está fortemente enraizada na nossa cultura, sendo considerada por muitos um símbolo regional devido a ter-se tornado já um elemento característico da paisagem em muitas regiões do país. Espécie normalmente admirada e respeitada pela grande maioria da população, existem actualmente várias reservas e planos ambientais para a sua conservação.

Mais comum no sul e centro do que no norte de Portugal, a cegonha-branca é presença constante nas searas e pousios alentejanos e nos arrozais, verificando-se, nos últimos anos, um aumento acentuado do número de efectivos ao longo de todo o ano. 

Inconfundível, a cegonha-branca apresenta uma das silhuetas mais facilmente identificáveis da nossa avifauna. O seu pescoço e patas compridas, a tonalidade branca do corpo, com as pontas das primárias e secundárias pretas, e a cor vermelha viva do bico e das patas, tornam-na uma ave emblemática do nosso território.

Fontes: Wikipédia e ICNF


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Urso Polar - espécie ameaçada



Ursos polares entre as 31 novas espécies ameaçadas


Convenção pela Conservação de Espécies Migratórias anunciou nova lista de espécies ameaçadas de extinção. Estima-se que existam entra 20 mil a 25 mil ursos polares.


Ursos polares, raias, algumas espécies de baleias e gazelas passam a ser consideradas animais ameaçados, por decisão da Convenção pela Conservação de Espécies Migratórias.

Num encontro internacional que terminou no domingo em Quito (Equador), considerado "histórico", 700 representantes de 120 países que integram aquela convenção aprovaram uma lista de 31 espécies migratórias ameaçadas a nível mundial.

Entre os animais, cuja existência deve ser protegida, estão o urso polar, com uma população estimada entre 20 mil e 25 mil animais, assim como uma espécie de gazela, a abetarda (uma ave presente na Europa e China), raias, tubarões-martelo e peixe-espada.

De acordo com o diretor-executivo da convenção internacional, Bradnee Chambers, os animais migratórios tornaram-se num exemplo do que tem acontecido a nível global, no que toca à poluição e às consequências das alterações climáticas: "As ameaças aos animais migratórios irão afetar-nos a todos".

A Convenção Pela Conservação de Espécies Migratórias, designada Convenção de Bona, entrou em vigor em 1983. Todos os países que a assinaram estão obrigados a proteger as espécies migratórias que habitem ou atravessem o território sob a sua jurisdição. A próxima conferência internacional acontecerá em 2017 nas Filipinas.

(Fonte: DN Ciência, 10 Nov. 2014)
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Evolução acelerada no mundo animal



Segundo os dicionários o termo “evolução” significa o processo de transformação lenta e gradual que tem lugar ao longo dos séculos e que se consubstancia nomeadamente na alteração das características físicas dos seres orgânicos.


Porém, de acordo com os cientistas, esta definição começa a estar desactualizada, dado que vários estudos comprovam que, devido à intervenção do homem,  algumas espécies estão a transformar-se cada vez mais depressa. Podemos quase afirmar que as mudanças lentas e graduais ao longo dos séculos, fazem parte do passado, do tempo dos mamutes e dinossauros  porque, hoje, a chamada “pressão selectiva”, ou seja, a influência do ser humano é tão forte que os animais se vêem obrigados a uma adaptação cada vez mais rápida. É por isso que vemos certas espécies a começarem a apresentar novos tamanhos, formas e até ritmos de vida. 

Vejamos alguns exemplos desta evolução acelerada:

Elefantes

A dimensão média dos dentes dos elefantes está a diminuir porque os caçadores matam os exemplares que têm mais marfim.
Quanto maiores os chifres e presas, maior a probabilidade dos animais serem abatidos. Como resultado desta matança com séculos de história temos que os genes das espécies com cornos estão a desaparecer, ficando para procriar apenas os animais com chifres mais pequenos.
Por exemplo, na China, os elefantes sem presas já são mais do dobro do que a média de há duas décadas.

Ratos

Não é a alimentação mas a poluição do ar que está a contribuir para o aumento de peso dos ratos da cidade.
A obesidade deixou de ser um problema grave apenas para a humanidade e está a afectar as outras espécies, nomeadamente os ratos e ratazanas das cidades.
Estudos recentes demonstraram que, devido à poluição atmosférica, o seu peso médio tem vindo a aumentar. Em testes feitos e controlados em que ratos e ratazanas foram todos alimentados exactamente da mesma forma, verificou-se que os que foram expostos a ar contaminado, apresentaram um aumento da massa gorda e do nível de açúcar no sangue.

Peixes

Algumas espécies de peixes estão a diminuir de tamanho por estar a ser impossibilitada a reprodução, uma vez que a pesca incide nos de maior dimensão.
Investigações efectuadas em dois aquários, em que num foram pescados os peixes grandes e no outro os pequenos, concluiu-se que em apenas quatro gerações os animais do primeiro aquário (o dos peixes grandes) tinham, em média, metade do tamanho dos do segundo aquário (o dos peixes pequenos).
Com a pesca massiva dos peixes maiores, cabe aos peixes mais pequenos a tarefa da reprodução, o que origina a diminuição do tamanho médio das espécies.

Melros

Com o aumento da poluição sonora, os pássaros cantam cada vez mais alto para conseguirem comunicar.
As espécies de pássaros que, como os melros, usam o canto para comunicar e criar estratégias de acasalamento, estão a adaptar-se à poluição sonora causada pelo Homem.
Um estudo efectuado sugere que o aumento do volume dos sons que actualmente algumas aves emitem, está directamente relacionado com os níveis de ruído das zonas urbanas.
Os investigadores receiam que esta mudança possa afectar o crescimento das crias, devido ao excesso de energia que despendem para emitirem sons mais altos.

Esquilos-Vermelhos

Devido ao aquecimento global, os esquilos-vermelhos dão à luz mais cedo.
De acordo com investigações, verifica-se que as mudanças climáticas também estão a afectar a evolução dos animais, obrigando-os a uma adaptação em que são alterados os seus padrões de migração e reprodução.
Por exemplo, o esquilo-vermelho que habita no território de Yukon, no Canadá, de há uma década para cá, está a dar à luz 18 dias mais cedo.  Segundo os especialistas, a explicação deste fenómeno está no aquecimento global e no facto de a Primavera chegar cada vez mais cedo.

Gafanhotos

Para desenvolver resistências a novos pesticidas, os gafanhotos necessitam de apenas 10 anos.
Os insectos estão entre os animais com maior capacidade para se adaptarem às mais diversas situações. Uma investigação norte-americana demonstrou que os insecticidas e pesticidas utilizados para os destruir, são um estímulo ao desenvolvimento dessa sua capacidade de adaptação.
Só nos Estados Unidos, as espécies resistentes a insecticidas custam em média, por ano, 2,8 mil milhões de euros à indústria agrícola.

O mundo animal está a mudar por nossa causa. Em todo o planeta há criaturas que estão a moldar-se ao ser humano, já para não falar nas espécies que estão em processo acelerado de extinção.

Onde nos levará a desatenção e indiferença do Homem em relação às outras espécies e, duma maneira geral, a toda a Natureza?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Está a crescer a população de tigres na Índia

Uma boa notícia para todos aqueles que se interessam e preocupam com a Natureza e com a importância que a biodiversidade tem para o equilíbrio dinâmico do nosso Planeta.

O último censo oficial dos tigres na Índia revela que a população destes felinos tem aumentado mais de 20% nos últimos quatro anos. Este é o primeiro censo que abrange todo o país e que foi divulgado na Conferência Internacional de Tigres em Delhi (Índia).

Os novos números são uma boa notícia para os ambientalistas e apoiam as suas iniciativas e reivindicações para manter as reservas de tigres no país asiático, local onde se encontra mais de metade da população mundial destes animais.

Os resultados indicam que a maioria dos felinos poderá estar a beneficiar da guerrilha maoísta, que mantém os promotores imobiliários fora das florestas, o que acaba por proteger as populações de tigres.

Calcula-se que quando a Índia se tornou independente em 1947, havia no país cerca de 40.000 tigres. O último censo, que utiliza câmaras ocultas e testes de DNA, afirma que actualmente o número é de 1.706 exemplares. Este número inclui 70 animais localizados no delta de Sundarbans (perto de Bangladesh), uma área que no censo anterior, em 2007, contava com 1.411 tigres.

As câmaras instaladas em pontos estratégicos, revelaram que a maioria deste felinos se encontram na região central da Índia e na cordilheira do Eastern Ghats, a leste (601 tigres) e nas montanhas do Western Ghats (534 tigres), no oeste.

O Ministro do Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, explicou durante a apresentação do novo censo que aumentou o número de tigres mortos nos últimos dois anos, mas que os números actuais são muito animadores no que respeita ao número de crias destes animais.

Apesar da Índia alberga nas suas florestas 39 reservas de tigres, ao longo de mais de 45 mil quilómetros quadrados, o Ministro Ramesh não deixou de expressar a sua preocupação pela diminuição no seu país da superfície habitável para os tigres. Os especialistas pedem que a preservação destas áreas seja uma prioridade para o Governo.

Fonte: www.elmundo.es, 29/3/2011

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

because it is... a FAMILY!...


Um vídeo para vermos, ouvirmos e reflectirmos em conjunto:

because we are all one FAMILY!...


sábado, 28 de agosto de 2010

O ano da biodiversidade - 2010

Açores: Da actividade baleeira ao turístico “Whale-Watching”

A caça à baleia e toda a indústria baleeira fizeram parte do quotidiano açoriano desde o início do século XVIII até 1987, quando foi proibida a caça a este cetáceo para fins comerciais – em 1982 foi assinado o Tratado Internacional de Proibição da Caça à Baleia, ao qual Portugal aderiu.
Mas já antes, a actividade baleeira tinha entrado em declínio: os grandes cetáceos, devido à ganância do homem, diminuíam nos oceanos; as pressões dos grupos ecologistas aumentavam e as indústrias químicas e têxtil, principais clientes do óleo de cachalote, iam encontrando diversos substitutos artificiais para os imensos produtos que deles se produziam (como cosméticos e lubrificantes).
Como consequência desse ocaso e do despertar ecológico, do querer “apagar” a época negra de morticínio, muitas das infra-estruturas utilizadas na actividade baleeira, como por exemplo as vigias, ficaram ao abandono.
Essas vigias, instaladas junto à costa e em zonas de falésia eram pequenas casas, geralmente de um só piso, assemelhando-se a uma caixa com uma ranhura larga e baixa, aberta em todo o perímetro voltado para o mar. No seu interior rendia-se uma guarnição composta de um a três homens – os vigias – que sentados horas fio em frente de binóculos observavam o mar em busca dos repuxos das baleias.
Assim que um animal era avistado, um foguete dava alerta ás tripulações dos botes que largavam imediatamente os afazeres diários e se lançavam ao mar em sua perseguição.
À tarde, a guarnição fechava a vigia e regressava o povoado para ver o resultado da caçada.


Actualmente, algumas vigias foram reabertas para serem utilizadas de uma forma mais nobre. Têm de novo o objectivo de detectar cetáceos, desta vez para a actividade turística de whale-watching ou a observação de baleias, em franca expansão em algumas ilhas açorianas.
Que esta actividade contribua para a preservação destes animais.
Que a historia da baleação sirva agora para salvaguardar o futuro das baleias.
Da vontade do homem para aprender com os erros do passado, dependerá a possibilidade das próximas gerações continuarem a apreciar a maravilhosa visão destas espécies marinhas.
Que a admirável comunicação dos cetáceos, em forma de espantosas melodias subaquáticas, nunca se silencie nem seja um gemido de dor.

Está nas nossas mãos evitar que essa tragédia aconteça.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Dunas

Quero hoje partilhar convosco alguma informação sobre um tema “ecológico e ambiental” que sempre tem despertado a minha curiosidade e a vontade de saber e conhecer mais e mais.

Trata-se das “dunas” e do seu importante papel na defesa e protecção do ambiente.



O que são dunas e como se formam

Duna, também chamada de “medão” ou “medo”, é um monte ou elevação de areia criado por processos eólicos, ou seja, pelo vento.
Consoante a acção do vento, assim as dunas são sujeitas a movimentação e mudanças de tamanho e forma.

Areia seca, vento, uma superfície de deposição e um pequeno obstáculo, como uma pedra ou uma planta, são as componentes essenciais para a formação de uma duna. O pequeno obstáculo é o elemento indispensável que irá criar as condições de adesão e de protecção que permitem que a areia transportada pelo vento comece a acumular-se, originando um “montinho”.

Esta pequena acumulação de areia começa ela mesma a tornar-se o próprio obstáculo que, com a continuação do processo, com o vento a soprar na mesma direcção e com areia suficiente, irá dar origem a uma duna.

Embora todas as dunas tenham na sua base os mesmos princípios de formação e evolução, existem vários tipos de dunas, de acordo com o seu aspecto (morfologia) e a sua estrutura interna. Em geral as dunas junto ao mar, dada a direcção mais ou menos constante do vento, formam zonas de dunas compridas e transversais ao sentido do vento e paralelas entre si.

Com base na estrutura interna e na sua dinâmica de formação, as dunas podem ser classificadas de estacionárias ou fixas (geralmente estabilizadas por vegetação ou rochas), móveis ou migratórias (as mais comuns e que ocorrem devido à contínua acção do vento) e fósseis ou paleodunas (as que são originárias de formações consolidadas em épocas geológicas antigas).

As dunas formam-se essencialmente onde houver areia e vento, ou seja, junto a zonas litorais e nas zonas interiores, nos desertos.

Importância das Dunas

A preservação das dunas é de crucial importância pois são elas que fazem a transição entre o ambiente marinho e o meio terrestre.

Os ecossistemas dunares são sistemas naturais muito sensíveis, cujo equilíbrio tem vindo a ser colocado em causa devido ao impacto das actividades humanas. A sua destruição terá consequências negativas na orla costeira, concretamente no aumento da erosão marinha e na degradação de algumas actividades económicas.

Servindo de protecção às transgressões do nível do mar, as dunas servem de “tampão natural” à violência das ondas, criando com elas um equilíbrio dinâmico e protegendo a conservação e utilização dos solos que estão a sotavento.

As dunas desempenham também um papel importante ao evitarem a contaminação dos aquíferos continentais pela água salgada, a salinização dos solos, a destruição das infra-estruturas humanas e a abrasão marítima das falésias.

Em situações de litoral agressivo e de subida do nível médio do mar, a preservação e protecção das dunas ganha uma dimensão estratégica na defesa de pessoas e bens e uma dimensão ecológica no que toca à defesa de um sistema sensível às alterações ambientais provocadas pelo Homem.


Cabe a cada um de nós a defesa e a protecção das dunas pois, ao evitar a sua destruição, estamos a proteger um pouco da nossa “casa” - o planeta Terra.



sábado, 10 de abril de 2010

Nasceram em Portugal as duas primeiras crias de Lince-ibérico, geradas em cativeiro.

As duas crias nasceram no passado dia 4 de Abril, em Silves, no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI).

Os pequenos linces, nascidos de parto natural, são bastante robustos e estão sob vídeo vigilância constante, já que existe o perigo de nos primeiros quinze dias poderem ser abandonados pela mãe.


Por enquanto, o comportamento da fêmea tem sido modelar, mantendo-se permanentemente junto às crias, prestando todos os cuidados maternais com tranquilidade e segurança.


Estas duas crias são a primeira descendência de Azahar e Drago, um casal que foi “emparelhado”pelos técnicos do centro, segundo critérios genéticos.


Juntos desde Dezembro passado, deram-se perfeitamente bem e estiveram na companhia um do outro até 15 dias antes do parto.


Azahar (nome árabe que significa flor de laranjeira), uma fêmea de cinco anos, nascida em liberdade em Espanha, foi o primeiro lince a ser transferido para Portugal (ao abrigo do plano ibérico para a conservação do lince) em 26 de Outubro de 2009. Nunca tinha conseguido engravidar no centro espanhol de reprodução de Jerez de la Frontera, talvez devido ao stress urbano daquela área. No entanto em Portugal, adaptou-se rapidamente às condições ambientais, iniciando o cio cinco dias antes das primeiras cópulas com Drago, a 29 de Janeiro de 2010.


Drago, o macho, nascido em 2007, chegou a Portugal a 17 de Novembro de 2009, proveniente do Centro de Cria “La Olivilla”, um dos três centros da Andaluzia espanhola que integram o programa de conservação ex-situ do Lince-ibérico.


Ao todo, existem quatro centros de reprodução, um em Portugal (Silves) e os outros três em Espanha ( “El Acebuche”, Huelva; “La Olivilla”, Jaén ; Zoo botánico de Xérez”, Jerés de La Frontera).
O objectivo destes centros é a criação e libertação de linces na natureza, com base num plano de acção português e espanhol para a recuperação e conservação da espécie.

O nascimento destes dois linces ocorreu num período em que também se verificaram quatro partos nos outros centros de reprodução em Espanha, o que é uma boa notícia e uma esperança para que num futuro próximo estes e outros animais possam ser libertados nos seus antigos habitats naturais, levando à total recuperação do Lince-ibérico.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Espécies animais em perigo de extinção em Portugal

Continuando na senda da biodiversidade e das espécies animais em perigo de extinção em Portugal, iniciarei com esta publicação, uma série de posts onde analisaremos de um modo muito geral cada uma das espécies ameaçadas do meu país.

O LOBO IBÉRICO

O Lobo Ibérico é uma subespécie que existe apenas na Península Ibérica.
Designa-se cientificamente por Canis lupus signatus e foi descrita inicialmente em 1907 por Angel Cabrera.
Actualmente a população do lobo ibérico é estimada em cerca de 2000 indivíduos. Destes, cerca de trezentos vivem em Portugal.


Nome da espécie

Popular: Lobo Ibérico
Científico: Canis lupus signatus
Dados biométricos

Comprimento: 1,10 m até 1,40 m; mais 30 a 45 cm de cauda.
Altura do garrote: de 60 a 73 cm
Peso: Machos: 30 a 45 kg; Fêmeas: 20 a 35 kg.

Morfologia Externa

Mais pequeno que os outros lobos. O aspecto geral recorda o de um cão Pastor-alemão.
Cabeça grande, orelhas curtas e triangulares, focinho comprido, olhos oblíquos e alaranjados. Corpo esguio mas musculoso, membros compridos e patas volumosas.
No Verão o pelo é curto e predomina a coloração parda. No Inverno a pelagem é mais densa e mais acinzentada.

Alimentação

A alimentação é muito variada.
As principais presas selvagens do lobo são os cervídeos.
Como em Portugal estes grandes herbívoros são raros, o lobo alimenta-se de coelhos, lebres e muito raramente de javalis e corços.
A captura de animais domésticos como ovelhas, cabras e vitelos também é frequente.
Ocasionalmente mata e come cães e aproveita os cadáveres de animais que encontra.

Habitat natural

O lobo tem um habitat muito variado incluindo matas, florestas e pastagens.
Por vezes aproxima-se de aldeias quando o alimento escasseia.

Distribuição geográfica geral

Centro-Norte e Norte da Península Ibérica.

Distribuição geográfica em Portugal

Actualmente encontra-se circunscrito à região fronteiriça dos distritos de Viana do Castelo e Braga, à província de Trás-os-Montes e parte dos distritos de Aveiro, Viseu, Guarda e Castelo Branco.
O núcleo a sul do Rio Douro é o mais ameaçado desta espécie, com uma população muito reduzida e sem ligação às anteriores.
Reprodução

Maturidade sexual: por volta dos 22 meses de idade.
Época reprodutora: De Janeiro a Março
Período de gestação: 60 a 63 dias.
Número de crias: 3 a 8 com a pelagem negra.
Tempo médio de vida: Um máximo de 15 anos.

Pouco antes de dar à luz, a fêmea escava uma toca ou aproveita um abrigo abandonado por outro animal num local bem oculto.
Nas primeiras semanas pós parto, a fêmea permanece no covil amamentando as crias enquanto o macho caça. Uma parte da caça é regurgitada pelo macho ao chegar à toca para servir de alimento à fêmea.
Por volta dos três meses, as crias começam a acompanhar a alcateia em todas as deslocações desta.


Estado de conservação da espécie

Em Portugal encontra-se ameaçada de extinção.
As causas do declínio do lobo são:
- Extermínio das suas presas selvagens.
- Fragmentação e destruição do habitat.
- Aumento do número de cães abandonados que se tornaram assilvestrados e que competem com o lobo na procura de alimento, sendo responsáveis por muitos dos ataques a animais domésticos indevidamente atribuídos ao lobo.
- A caça ilegal por armas de fogo, armadilhas e envenenamento, movido por pastores e caçadores devido à crença generalizada que o lobo ataca o homem e os animais domésticos. No entanto, em áreas onde as presas naturais abundam, os prejuízos provocados pelo lobo nos animais domésticos são quase irreais!

A recuperação da espécie só será possível se lhe facultarmos abrigos propícios e presas naturais (cervídeos e javalis).
Enquanto a reintroduzição de presas não for uma realidade, teremos que aceitar que os lobos causem algumas baixas nos rebanhos, sendo os pastores indemnizados, sempre que se provar que o ataque foi causado pelos lobos. Esta medida tem sido muito contestada pelos agricultores e pastores.

Curiosidades sobre o modo de vida dos lobos

Os lobos vivem em pequenos grupos – alcateias – geralmente constituídas pelo casal reprodutor e pelos descendentes das últimas duas ninhadas.
Nas alcateias há uma hierarquia social bem definida.
O casal reprodutor e dominante designa-se por alfa. Apenas aos indivíduos alfa é permitido andar com a cauda erguida.
Nos restantes, quanto mais para baixo estiver a cauda, mais baixa é a posição hierárquica que ocupam.