terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Presídio


Presídio

Nem todo o corpo é carne… Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco…?

E o ventre, inconscientemente como o lodo?…
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo…

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

vulto da Primavera em pleno Outono…
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

(David Mourão-Ferreira)

3 comentários:

  1. ¡Wou! Es precioso, lo que dice emociona los sentidos. Un abrazo

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  2. Hermoso este peoma, genial...
    Feliz día.
    Un abrazo.

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  3. Hola Tétis,
    precioso poema!
    Gracias por compartir!
    beijos

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