quarta-feira, 5 de março de 2014

Crepúsculo

Na margem do meu rio três barras cinzentas no horizonte. Cinzento-escuro, cinzento-chumbo e cinzento-azulado.
Três barras tão simétricas que parecem o capricho de um pintor numa qualquer tela.
Gaivotas-fantasmas, mudas, também elas cinzentas, planam sobre o rio-espelho do céu. O silêncio parece ter parado, ainda que por momentos, o tempo. Não sou o único a sentir-me subjugado pelo breve período que antecede o crepúsculo. Num murmúrio diz-me: olha a lua. Sigo o apontar do seu dedo. Consigo fixar o olhar num quase invisível aro de prata que adivinha a lua.
A barra cinzento-escuro agigantou-se. Não quero vê-la devorar o frágil astro.
Viro-me e retomo o caminho de casa. Ao chegar à porta arrisco um olhar.
Cinzento-escuro, cinzento-negro, as gaivotas voam agora em círculos calados como quem procura.
Deixo a porta fechar-se silenciosamente, não volto a olhar para trás.   

15 comentários:

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    1. Obrigado, MAribel, pelos votos que retribuimos com um abraço.

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  2. Argos,

    Tens o privilégio de apreciar o crepúsculo nesse teu Rio que tanto amas.
    Felizmente, há mais alguém que sabe o sortilégio que a Lua exerce sobre o espírito de quem se alheia de tudo, quando comtempla, não uma, mas essas três linhas cinzentas no horizonte!
    Fizeste bem em não olhar para trás, provavelmente, o encanto já se teria dissipado.
    Gosto muito quando a natureza te deixa divagar e sonhar...

    Hoje, já aceitas um abraço?

    :)

    Beijinhos.

    Janita

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    1. Janita,

      Não sei se é um privilégio, muito menos se há um sortilégio, mas cada vez mais me convenço que não devo olhar para trás, só serve para magoar.

      Abraço grande

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  3. Para lá dos tons e do silêncio e das gaivotas e da porta há sempre um "aro de prata" que podemos desenhar cá dentro, quando a noite nos envolve... lá fora.

    Beijinho e um abraço grande

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    1. Laura,

      Um "aro" também serve para "estrangular".

      Abraço grande

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    2. Os aros, sejam de prata, de cobre, de madeira ou de ouro, são também símbolos de compromissos. De facto, alguns podem ser "estranguladores", mas se e apenas se deixarmos. :)

      Beijinho e um abraço mais que grande.

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  4. O crepúsculo é mágico. Sempre o vi assim: mágico.
    A transição entre o dia e a noite, aqueles momentos, que por vezes nos parecem tão breves, têm em si uma imensidade de sonho.
    A lua que espreita, que se vai mostrando devagar, que nos remete para o momento que passa, mais um momento, nunca é devorada. A sua força é superior a qualquer barra, seja ela qual for.
    Não há gaivotas fantasma, nunca! Elas estão sempre lá, planando acima de nós, acima da mediocridade. Firmes, lindas, merece que paremos, que olhemos para trás uma vez mais. Nem sempre é aconselhável fechar os olhos, seguir em frente. Seguir em frente sim, mas nunca perdendo de vista a beleza do que ficou para trás.

    Abraço grande.

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    1. Não sei não, GL, desta vez não sei mesmo.

      Abraço grande

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  5. https://www.youtube.com/watch?v=G1Io5srRHPA

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    1. Obrigado, Alexandra, deixaste-me preocupado, sabias?

      Abraço grande

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  6. Hola amigo Argos,

    aprecia todo lo que te rodea y te gusta, asi seras siempre mas feliz.

    Abraço

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    1. Assim o faço, Poseidón, sempre.

      Abraço

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  7. Olá Argos,

    Belos, sempre belos e tocantes os textos que partilhas.

    Quanto ao olhar para trás... não sei se por vezes não nos faz falta reviver o passado para aprendermos com os erros cometidos e assim vivermos melhor o presente e, se possível, planearmos o futuro.

    Um abraço amigo

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    1. Tétis,

      O passado não é só feito de erros, também é feito de muitos momentos felizes, de amor, carinho,...alicerces firmes!

      Abraço grande

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