terça-feira, 8 de outubro de 2013

Asilo

Sou velho e como tal não preciso de dormir muito. Acordo ainda de noite.
Ouço ao longe os primeiros acordes da alvorada no assobio dos melros que fizeram da cidade o seu bosque.

“Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.”

Faço um esforço para me recordar dos outros versos. No silêncio da minha memória, quando termino de declamar, já é dia.
Regresso ao presente com o ruído da porta do quarto a abrir e com um sonoro bom dia que me faz estremecer.
Porque grita?
A sua primeira tarefa consiste em abrir as janelas, de par em par, para renovar o ar do aposento.
Traz a seguir uma esponja e começa a higiene do meu corpo frágil e dorido.
Compõe a roupa da cama.
Não fala, só o indispensável. Porque haveria de desperdiçar o seu discurso com alguém que nunca se sabe quando esta lúcido?
Rezo para que tudo termine rapidamente para voltar a ficar sozinho.
Rezo, que ironia! Deixei de rezar em criança e agora volto a fazê-lo!
Quem me visita ao longo do dia, ou melhor, quem espreita pela porta entreaberta, vê sempre o mesmo cenário (peça de teatro inacabada à espera que o pano caia):
Um quarto espartano, de paredes brancas salpicadas de humidade em vários lugares e janelas pintadas de verde, com a tinta estalada a propagar-se em todas as direcções como teias de aranha. Pousam os olhos no leito e no corpo envelhecido, retesado como uma árvore ressequida que morre aos poucos; um monte de ossos que parece querer perfurar a pele (que se assemelha a um mapa-múndi de rugas entrecruzadas).
Desviam os olhos - não vale a pena - eu também desvio os meus.
 Procuro nas gavetas da memória e encontro: Uma velha foto de mulher. Apesar dos anos ainda vislumbro o cintilar do sol, o jogo das sombras na sua pele e o vento despenteando os seus cabelos.
Visito todos os pormenores da fotografia ao compasso de fragmentos de uma melodia romântica:

“Sei de cor cada traço do teu rosto, do teu olhar
Cada sombra da tua voz e cada silêncio,
Cada gesto que tu faças
Meu amor sei-te de cor”

Um leve rumor faz-me olhar para a janela. Lá está a pomba que costumava pousar na janela do quarto ao lado do meu e que comia, sem medo, as migalhas de pão que a velhota deixava no peitoril. Agora vens até à minha, pareces perguntar porque razão aquela janela nunca mais se abriu.
Não te posso dar de comer, amiga, mas posso contar-te uma história. Tens tempo para ouvir um alienado como eu? Ora escuta:
Eu era jovem, talvez um pouco inocente…um dia conheci o amor, uma paixão que…
Atenta neste pedacinho de poema que nos diz que amar:

“É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.”

Espera, não te vás embora, ainda agora comecei, por favor!
Voaste…
Sinto um ardor mas as lágrimas já não me surpreendem como antigamente.
Quem tiver coragem de olhar para dentro dos meus olhos só verá um abismo, um requiem de emoções que ninguém poderá entender, uma cegueira para este mundo, uma noite escura.

“Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado,
Confidente e intérprete da Sorte!”


O pano tarda em cair...

36 comentários:

  1. Cada sombra da tua voz e cada silêncio,
    Cada gesto que tu faças
    Meu amor sei-te de cor”

    Bellísomos versos, felicidades Argos por traerlos hasta aquí y podamos disfrutar de ellos. Muy buena entrada. Te dejo un fuerte abrazo. Feliz día.
    Lola Barea.

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    1. Olá Lola,

      E para além dos versos, devemos reflectir na forma como são tratados os idosos.

      Abraço e bom fim-de-semana

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  2. Puxa, que maravilhosa poesia! Intensa, linda, encantadora! abração,chica

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    1. Olá Chica,

      Não é poesia, é mesmo a realidade para a maioria dos idosos.

      Abraço grande

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  3. Argos, meu Amigo, é, sabes disso, um privilégio ter este texto. Mais uma vez, choro, porque ele é autêntico. A beleza não está só nas nuvens que enfeitam o céu. Está também naquilo que não vemos ou não queremos ver ou não desejamos, como o sofrimento, o silêncio das paredes, a impessoalidade dos gestos. Há, em tudo isso, desígnios que não são de compreensão fácil, mas explicáveis.

    Obrigada por teres decidido...

    Um beijinho, cheio de carinho.

    Laura



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    1. Laura,

      Não consigo compreender nem muito menos explicar. Só posso perguntar porquê

      Abraço grande e não agradeças, não sei se foi grande ideia, tenho medo!

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    2. Do escuro? Também tenho! :)

      E, sim, não gosto sínteses, que não dão 'pano para mangas'. :))

      Beijinho

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    3. Entendo, mas o que não for síntese está ao alcance da minha tecla "Del"!

      Abraço grande

      P.S. Prometo que vou tentar. Só tentar...

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    4. Ainda um dia te tiro o raio da tecla "Del"

      :)))))

      Beijinho

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  4. Ainda estou a ler...de mansinho. Já tinha lido e ainda não me decidi a comentar. Deixaste-me pensativo, com medo, e sem saber muito bem o que dizer. Volto depois...

    Abraço grande

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    1. A velhice é problema? O problema é na demora do pano cair? acho que não...e o amor é sempre possível.

      Abraço grande

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    2. "JP",

      Já somos dois!

      A velhice é problema, sim, queres apostar?
      O "pano" pode não ser um problema.
      E claro que o amor é sempre possível, assim como acreditar nas estrelas...

      Abraço grande e desculpa

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    3. Não aposto...és teimoso. Mas o pano não tem de descer antes do ciclo completo.

      Amar e acreditar nas estrelas são coisas diferentes...não inventes :)

      Abraço grande

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    4. Então explica!

      Abraço grande

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    5. Mau...explico que o amor é diferente de acreditar nas estrelas?

      Mas não achas que é? amar implica reciprocidade...chega?

      Abraço grande

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  5. Olá, Argos!

    Por curiosidade vim aqui espreitar, e dei de frente com este extraordinário texto:tocante, bem escrito, a descrever uma realidade que para muitos será presente, e que a muitos outros espera no futuro.

    Parabéns pela forma como bem escreve. E deixo um abraço.
    Vitor

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    1. Bem-vindo, Vitor, ao nosso blog!
      Neste "Farol" somos três amigos e cada um "divaga" de acordo com as suas experiências ou estados de alma.

      Este texto foi aqui colocado porque eu vejo como os mais velhos são tratado e porque eu ( porque não confessar) tenho medo do futuro.

      Abraço

      P.S. já fui "espreitar" o seu blog, gostei do que li.

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    Feliz Semana... ★MaRiBeL★

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    1. Olá Maribel,

      Obrigado e bom fim-de-semana

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  7. Desde ontem que venho aqui espreitar e agora...sinto como se me tivesses dado um murro no estômago, Argos!

    Deixa-me reler e treler para melhor assimilar tudo o que acabei de ler.
    Deixa-me ser a pomba que voou!
    Quero ouvir tudo o que ele tem para dizer...

    Quero citar Camões , lentamente e juntamente com ele...

    Amar:

    “É querer estar preso por vontade;
    é servir a quem vence, o vencedor;
    é ter com quem nos mata, lealdade.”

    Beijinhos, abraços...e bons sonhos, meu Amigo!



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    1. Então,Janita? Não sabias que a realidade dá uns belos murros?

      Abraço grande e não te zangues

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    2. Sabia! Claro que sabia dos murros que a realidade nos dá!
      Já levei tantos!
      Este 'murro' que me deste, provocou-me uma agonia diferente dos que a vida me tem dado, Argos!
      E tu sabes porquê...cada um vive a sua realidade!
      Zanguei-me, sim!
      Abraço.

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  8. Um belo texto! Belo, porém triste! Belo, pelo tema abordado de forma poética, enfatizando o estado de espírito daquele que vive a situação. Triste, por focar uma realidade vivida por tantos idosos que ao final da vida são forçados ao exílio, longe de familiares e muitas vezes esquecidos pela sociedade.
    O texto remeteu-me o pensamento a tantos asilos espalhados aqui no meu país, abrigando seres humanos que na maioria das vezes constituíram uma família, criaram filhos com sacrifício, procurando dar-lhes uma boa educação, meios de se tornarem cidadãos de bem, e que ao final da vida são esquecidos por essa mesma família a quem transmitiu valores e senso de dignidade e honra.
    Conheço casos assim, onde os familiares, com a desculpa de não terem tempo ou condições de cuidar dos seus idosos, deixam-nos ficar à mercê de estranhos que ali estão apenas prestando cuidados físicos, muitas vezes sem a preocupação (nem obrigação) de lhes mitigar a sede e fome de carinho e atenção. E na maioria das vezes são pessoas que teriam condições de conservar seus idosos nos próprios lares, usufruindo da companhia da família, principalmente netos, para que a velhice não lhes chegasse trazendo um peso maior do que a própria condição de idoso já traz.
    Podem dar a estas instituições o nome que quiser: asilo, albergue, casa de repouso, tentando amenizar tais denominações com acréscimo de adjetivos bonitos, mas a tristeza e decepção daqueles que ali se vêem alojados não são suavizadas por nenhum destes meios estéticos. A dor é real, está ali lado a lado com as lembranças da vida que tiveram quando ainda livres daquelas paredes que os prendem e das muitas regras a que estão agora submetidos.
    Desculpe amigo, por ter chegado no teu espaço fazendo um desabafo de tal porte, principalmente por ser esta a primeira vez que aqui venho. Talvez tenha me excedido num comentário tão alongado, mas registre no teu coração somente a minha admiração pela forma tão profunda e tão sentida com que escreves. Tens realmente o dom da palavra e sabes usá-la de uma forma que nos enternece a alma e faz marejar os olhos.
    Deixo um afetuoso abraço e os votos de que esse farol a que chamas amizade possa continuar a iluminar a mente e o coração dos amigos que por aqui passarem, atraídos pela bonita e significativa luz que daqui emana.
    Com carinho,
    Helena

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    1. Olá Helena,

      Bem-vinda a este espaço que é de três amigos e não tem porque pedir desculpa. Gostei do seu comentário. Também colocou o dedo na ferida e eu admiro essa coragem. Julgo que todos nós devemos parar para pensar um pouco na forma como são tratados os idosos e todos aqueles que se encontram mais fragilizados.

      Um abraço

      P.S. já "espreitei o seu cantinho e vou voltar, se me permitir)

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  9. Hola Argos

    Un texto muy bueno por ser autentico para muchas personas.

    - Sera que ser viejo es como haber perdido el rumbo y andar como un barco a la deriva?

    “todo el mundo quiere llegar a viejo, pero luego nadie quiere serlo”, como dice el aforismo.

    Ser viejo no es ser un estorbo, es simplemente tener una utilidad diferente.
    Manoel de Oliveira, Pablo Picasso y un largo etc. ..Siguieron y siguen dando lo mejor con una edad avanzada..

    Entonces uno es viejo cuándo?

    Abrazo amigo

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    1. Olá Poseidón,

      "Ser viejo no es ser un estorbo, es simplemente tener una utilidad diferente."
      Não deveria ser, mas infelizmente é!

      Abraço grande



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  10. Olá Argos.

    Tenho passado por aqui vezes sem conta! Acho que até já sei o texto de cor, mas hoje fiquei um pouco mais, a fazer companhia ao idoso e solitário senhor .
    Simpatizei com ele, sabes? E acho que ele se está a habituar à minha presença.:) Noto-lhe um brilhozinho nos olhos...e já não retira a sua mão quando a seguro entre as minhas! Creio que estamos a ficar bons amigos. Gosto de o ouvir declamar o belo soneto de Camões, na sua voz pausada e ligeiramente rouca.
    Um destes dias, vou abrir a janela e deixar a pomba entrar no quarto. Achas que ele vai gostar?

    Beijinho!:)

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    1. Olá Janita,

      Julgas que se pode realmente dar ânimo a pessoas que foram abandonados pela família? Que se sentem como um estorvo?
      Eu queria acreditar...

      Abraço grande

      P.S. Queres iniciar uma "guerra" no teu blog com o último post?:))

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    2. Quantas e quantas vezes o ânimo no chega de pessoas que não têm o nosso sangue? Para se ser solidário , humano e compreender as angústias dos que se sentem abandonados, velhos, ou novos, não é necessário pertencer à mesma família.

      Uma guerra sem mortos nem feridos...não pode ser chamada de guerra!

      Não sabes que da discussão nasce a luz? Há quem não goste de debater ideias e confundam isso com quezílias.
      Nesse caso devo ser muuuiiito quezilenta!

      Abraço!

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  11. Olá meus queridos e saudosos amigos do Farol!

    Vim fazer uma visita e avisar que estou retornando ao Blog...

    Bela postagem, como sempre!!

    Abraços e bom final de semana!

    Reggina Moon

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    1. Olá Reggina,

      Bem-vinda de novo!

      Passaremos no teu cantinho, abraço grande dos três amigos do "Farol"

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  12. Argos, grata pela visita. Será sempre um prazer ver-te no meu cantinho. Vim desejar que teu final de semana seja lindo, com sorrisos de anjos enfeitando teu coração e estrelas iluminando teu olhar.
    Helena

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    1. Olá Helena,

      Bem-vinda ao nosso cantinho e obrigado pelas palavras simpáticas.
      Sempre que puder passarei pelo seu cantinho

      Abraço

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