terça-feira, 16 de agosto de 2016

As Amoras



As Amoras


O meu país sabe a amoras bravas

no verão.

Ninguém ignora que não é grande,

nem inteligente, nem elegante o meu país,

mas tem esta voz doce

de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país, talvez

nem goste dele, mas quando um amigo

me traz amoras bravas

os seus muros parecem-me brancos,

reparo que também no meu país o céu é azul.

(Eugénio de Andrade)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Acróstico abecedario sobre la vida





Este acróstico  nos habla de la vida, sus luchas, sus sentimientos, sus pruebas y sus retos..






     A menudo sobre nuestros rostros dejas tus huellas con el pasar del tiempo,

     Bienestar conquistado apagando el dolor,

     Cabizbajo por abatimiento,

     Dilema de proposiciones contrarias muchas veces me persiguen,

     Enfado en gesto amenazado.

     Favores que te procuran por momentos felicidad,

     Ganar y hacer frente es el camino a seguir..

     Historias de Amor muchas veces soñé,

     Inocentes sueños de mis noches  tan deseadas,

     Jugador, seductor por amor a veces sofocado.

     Karma, de mi vida por supuesto vivida.

     Lejos de mi ideal intentando siempre lo mejor

     Mismo si me he sentido decepcionado,

     Nadie sabrá las lágrimas que he aguantado,

     Ñora con momentos de guindilla,

     Olvidando esos valores esenciales.

     Palabras en esos instantes,

     Queriendo momentos emocionantes.
 
     Rememorando retozos de amantes,

     Soltados y llevados  por su propio impulso..

     Tratémoslos de encantadores,

     Unánimemente? Claro que no!

     Violento seria este debate con

     Wagones perdiendo sus railes

     Xilófono en desacorde llevando a

     Yaba para vermífugo en un

     Zafarrancho dividido y desordenado.



Os dejo en este post, esta canción número uno de este verano para disfrutar..

 



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"Valeu a Pena" viver...



Moniz Pereira (1921-2016), o homem que fez Portugal acreditar em “coisas impossíveis”, símbolo do desporto nacional, morreu ontem aos 95 anos de idade.
Foi um dos maiores impulsionadores do atletismo nacional e treinador de grandes figuras como Carlos Lopes, Fernando Mamede, Francis Obikwelu ou Naide Gomes.

Chamaram-lhe maluco por acreditar que os atletas portugueses podiam ter resultados tão bons quanto os seus concorrentes. Mas ele nunca se desviou do objectivo de ver um português subir ao lugar mais alto do pódio nuns Jogos Olímpicos. Demorou 39 anos, mas provou que a razão estava do seu lado quando Carlos Lopes conquistou a primeira medalha olímpica portuguesa de ouro, na maratona, em Los Angeles 1984. Mário Moniz Pereira, apaixonado pelo desporto e a quem chamavam “senhor atletismo”, moldou campeões e teve um papel inigualável na projecção internacional dos atletas portugueses. Morreu neste domingo aos 95 anos, de pneumonia, razão pela qual estava internado há alguns dias.

O desporto esteve sempre presente na sua vida. Praticou andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, ténis de mesa e voleibol. E, claro, atletismo — a sua grande paixão. O recorde nacional do triplo salto chegou a pertencer-lhe, mas foi quando assumiu o papel de treinador que começou a fazer uma revolução em Portugal.


No Sporting, clube do qual era o sócio número 2 e foi um pouco de tudo (até preparador físico da equipa de futebol em 1970 e 1971, sagrando-se campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal), tornou-se um técnico de elite e forjou alguns dos nomes que hoje são referências do atletismo nacional. Carlos Lopes, Fernando Mamede, Domingos Castro e Dionísio Castro, Rui Silva, Francis Obikwelu ou Naide Gomes passaram-lhe pelas mãos e ajudaram a tornar o seu sonho realidade: ter atletas portugueses a ombrear com os melhores do mundo.

Licenciado em Educação Física pelo Instituto Nacional de Educação Física (INEF) em Lisboa, onde deu aulas durante 27 anos, Moniz Pereira participou em 12 Jogos Olímpicos entre 1948 e 2012.

“Para o atletismo representa um pilar fundamental. Moniz Pereira tem um lugar ímpar, foi efectivamente ele que lançou a nossa modalidade para os níveis que temos hoje. Tinha a convicção que os atletas portugueses, com os mesmos apoios, seriam tão bons quanto os outros. E conseguiu provar essa tese. Fez-nos acreditar que era possível”, notou o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira, num testemunho ao PÚBLICO.


Moniz Pereira aborrecia-se por Portugal ser um país concentrado no futebol. Mesmo que, por vezes, isso implicasse criticar o Sporting, clube de sempre: “O atletismo deu mais títulos e nome ao clube do que o futebol e, no entanto, só pensam no futebol. Quando foi a construção do novo estádio prometeram uma pista, ia acompanhando as obras e não via nada. Até que percebi — um estádio novo sem pista. É difícil manter dezenas de modalidades sem infra-estruturas”, queixava-se numa entrevista ao PÚBLICO, em 2012, antes do início dos Jogos Olímpicos de Londres.

“O professor Moniz Pereira tinha uma ideia que era mostrar aos portugueses que podiam ser tão bons como os outros. Destacava-se por essa ideia e pelo seu trabalho diário. Tinha uma capacidade de persuasão extraordinária, de elevar os nossos patamares de motivação”, recordou José Carvalho, ex-atleta olímpico.

Amigo íntimo do “senhor atletismo”, o fadista Carlos do Carmo define-o simplesmente como “o maior”. “Gostava que os mais jovens soubessem que, desportivamente falando, estamos perante talvez o mais ilustre português que tivemos. Fundou uma escola de atletismo e criou uma série de campeões do mundo”, sublinhou o fadista com quem Moniz Pereira partilhava a paixão pela música – o treinador compôs várias músicas cantadas por grandes nomes do fado português.

Moniz Pereira deixou o comando directo do atletismo do Sporting após os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. E, nos tempos mais recentes, a idade fazia com que praticamente não saísse de casa. Mas nem por isso deixava de acompanhar atentamente a modalidade, fossem as provas internacionais ou os campeonatos nacionais. “Eu consegui realmente as tais coisas impossíveis e estou bastante satisfeito”, concluía na entrevista de 2012. O legado de Moniz Pereira fará com que nunca seja esquecido.



Mário Moniz Pereira era um contador de histórias, que imobilizava plateias, mas também um compositor, autor e cantor de fado. "Valeu a Pena" é um dos seus mais conhecidos.

Fontes:

Valeu a Pena

Autor da Letra: Mário Moniz Pereira
Autor da Música: Mário Moniz Pereira
Intérprete: Maria da Fé

Com voz serena, perguntaram-me ao ouvido
Valeu a pena, vir ao mundo e ter nascido?

Com lealdade, vou responder, mas primeiro
Consultei meu travesseiro, sobre a verdade

Tive porém, que lembrar o meu passado
Horas boas do meu fado, e as más também

Valeu a pena
Ter vivido o que vivi
Valeu a pena
Ter sofrido o que sofri
Valeu a pena
Ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei
Valeu a pena

Valeu a pena, ter sonhado o que sonhei
Valeu a pena, ter passado o que passei

Valeu a pena, conhecer quem conheci
Ter sentido o que senti, valeu a pena

Valeu a pena, ter cantado o que cantei
Ter chorado o que chorei, valeu a pena

Valeu a pena
ter amado quem amei
ter beijado quem beijei
valeu a pena
valeu a pena
ter cantado o que cantei
ter chorado o que chorei
valeu a pena.