SÚPLICA
Mortos que em
certas horas me falais
Com a vossa mudez
ou murmúrios subtis,
Dizei: Custa muito
morrer?
Há lá, por esse
mundo, uma outra vida,
Que valha a pena
viver?
Mortos que em
certas horas me tocais
Com a vossa mão
fria,
Dizei-me: Com a
morte tudo acaba,
Ou, como se
nascêssemos de novo,
Um novo mundo
principia?
Nada sei.
Sou inexperiente na
morte,
Pois não morri
ainda
Queria saber
desvendar
Se com a morte que
tomba
Alguma coisa
começa,
Ou, se pelo
contrário, tudo finda.
Esses que amei, com
quem vivi, felizes,
Num mundo de
amarguras povoado
De novo, poderei
tornar a vê-los,
Felizes ao meu
lado?
Ilusões, quem as
criou,
É um benfeitor
Que merece guarida!
Dai-me a ilusão,
todos vós que morrestes,
De uma outra vida
melhor
Para além desta
vida.
(Alfredo Brochado)





