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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Os Erros


A confusão a fraude os erros cometidos 
A transparência perdida — o grito 
Que não conseguiu atravessar o opaco 
O limiar e o linear perdidos 

Deverá tudo passar a ser passado 
Como projecto falhado e abandonado 
Como papel que se atira ao cesto 
Como abismo fracasso não esperança 
Ou poderemos enfrentar e superar 
Recomeçar a partir da página em branco 
Como escrita de poema obstinado? 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas" 

sábado, 18 de julho de 2015

Súplica


SÚPLICA

Mortos que em certas horas me falais

Com a vossa mudez ou murmúrios subtis,

Dizei: Custa muito morrer?

Há lá, por esse mundo, uma outra vida,

Que valha a pena viver?



Mortos que em certas horas me tocais

Com a vossa mão fria,

Dizei-me: Com a morte tudo acaba,

Ou, como se nascêssemos de novo,

Um novo mundo principia?



Nada sei.

Sou inexperiente na morte,

Pois não morri ainda

Queria saber desvendar

Se com a morte que tomba

Alguma coisa começa,

Ou, se pelo contrário, tudo finda.



Esses que amei, com quem vivi, felizes,

Num mundo de amarguras povoado

De novo, poderei tornar a vê-los,

Felizes ao meu lado?



Ilusões, quem as criou,

É um benfeitor

Que merece guarida!

Dai-me a ilusão, todos vós que morrestes,

De uma outra vida melhor

Para além desta vida.

(Alfredo Brochado)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Nec caput nec pedes habet ( e também sem fim) II



Era uma vez um vendedor de sonhos impossíveis que de tantos vender acreditou na sua possibilidade.
Tornou-se arquitecto e construiu para si uma casa sem portas mas com muitas janelas. Para entrar só se impunha uma condição: Asas.
Com a ajuda dessas asas a casinha principiou a subir, cada vez mais alto em direcção ás estrelas.
Por baixo nuvens amenas, por cima a luz dos astros.
Num impulso começou a escrever os seus sonhos, as asas ajudariam a afastar os medos.
Mas o tempo é caprichoso e o seu sopro espalhou as letras…

    T     H
                    J
     P          L 
          M
J

                      G

    E
L

E  ele percebeu  que letras espalhadas não têm pés nem cabeça e que até o tempo vendido por um sonhador tem afinal um fim.

sábado, 4 de julho de 2015

Sou eu

Sou Eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, 
Espécie de acessório ou sobressalente próprio, 
Arredores irregulares da minha emoção sincera, 
Sou eu aqui em mim, sou eu. 

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. 
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. 
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim. 

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente, 
Como de um sonho formado sobre realidades mistas, 
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico, 
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima. 

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua, 
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda, 
De haver melhor em mim do que eu. 

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa, 
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores, 
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho, 
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas, 
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida. 

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica, 
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar, 
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo — 
A impressão de pão com manteiga e brinquedos 
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina, 
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela, 
Num ver chover com som lá fora 
E não as lágrimas mortas de custar a engolir. 

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado, 
O emissário sem carta nem credenciais, 
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro, 
A quem tinem as campainhas da cabeça 
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima. 

Sou eu mesmo, a charada sincopada 
Que ninguém da roda decifra nos serões de província. 

Sou eu mesmo, que remédio! ... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Palavra, Frase


PALAVRA, FRASE

Palavra, frase - E as cifras falam
a vida vivida, súbito sentido,
o sol estaca, as esferas calam,
tudo se concentra a ela volvido.

Palavra - um brilho, um voo, um fogo,
um jacto de chamas, de estrelas um traço -
em redor do mundo e de mim há logo
o escuro medonho no vazio espaço.


Gottfried Benn
Tradução de Vasco Graça Moura 

domingo, 12 de abril de 2015

A Valsa e André Rieu



A Valsa Vienense e André Rieu, uma dupla perfeita!...


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Espergesia


Yo nací un día 
que Dios estuvo enfermo. 

Todos saben que vivo, 
que soy malo; y no saben 
del diciembre de ese enero. 
Pues yo nací un día 
que Dios estuvo enfermo. 

Hay un vacío 
en mi aire metafísico 
que nadie ha de palpar: 
el claustro de un silencio 
que habló a flor de fuego. 

Yo nací un día 
que Dios estuvo enfermo. 

Hermano, escucha, escucha... 
Bueno. Y que no me vaya 
sin llevar diciembres, 
sin dejar eneros. 
Pues yo nací un día 
que Dios estuvo enfermo. 

Todos saben que vivo, 
que mastico... y no saben 
por qué en mi verso chirrían, 
oscuro sinsabor de ferétro, 
luyidos vientos 
desenroscados de la Esfinge 
preguntona del Desierto. 

Todos saben... Y no saben 
que la Luz es tísica, 
y la Sombra gorda... 
Y no saben que el misterio sintetiza... 
que él es la joroba 
musical y triste que a distancia denuncia 
el paso meridiano de las lindes a las Lindes. 

Yo nací un día 
que Dios estuvo enfermo, 
grave.


Cesar Vallejo

segunda-feira, 16 de março de 2015

A Primavera chegará


Da varanda da minha casa vejo a Primavera a chegar...

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(Excerto de: "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1")

sexta-feira, 13 de março de 2015

Dúvida

O que nos leva a querer viver...ou morrer?

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Melancolía



La melancolía es parte de la vida y una de sus experiencias más enriquecedoras; acéptala, reflexiona a partir de ella, disfrútala y siéntela porque no todos los días las tendrás.


“Hay una melancolía que nace de la grandeza.” -Nicolas Chamfort.


“Los grandes hombres son siempre de una naturaleza originalmente melancólica. ”-Aristóteles.”




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

I will survive


I will survive

At first, I was afraid, I was petrified.
Kept thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong.
And I grew strong
And I learned how to get along.


And so you're back from outer space.
I just walked in to find you here
With that sad look upon your face.
I should've changed that stupid lock,
I should've made you leave your key,
If I had known, for just one second,
You'd be back to bother me.


Well, now go! Walk out the door!
Just turn around now,
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to hurt me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?


Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love,
I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.
I've got all my love to give.
And I'll survive! I will survive!
Hey, Hey!


It took all the strength I had
Not to fall apart
And trying hard to mend the pieces
Of my broken heart.


And I spent, oh, so many nights
Just feeling sorry for myself.
I used to cry,
But now I hold my head up high!


And you'll see me, somebody new,
I'm not that chained up little person
Still in love with you.


And so you felt like droppin' in
And just expect me to be free,
But now I'm savin' all my lovin'
For someone who's lovin' me!


Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?


Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love
I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.
I've got all my love to give.
And I'll survive. I will survive! Oohh..


Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?


Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love
I know I'll stay alive!
And I've got all my life to live.
And I've got all my love to give.
And I'll survive. I will survive! I will survive!