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domingo, 20 de outubro de 2013

Ninguém pode roubar o direito de te expressares

Não importa de que forma. Um olhar, um sorriso, um trejeito, um gesto.
Um bailado de movimentos dispersos guiado pela música interior que murmura a ânsia de independência.
Autonomia para quebrar as grilhetas do corpo e sonhar.
Liberdade para SER, somente.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Asilo

Sou velho e como tal não preciso de dormir muito. Acordo ainda de noite.
Ouço ao longe os primeiros acordes da alvorada no assobio dos melros que fizeram da cidade o seu bosque.

“Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.”

Faço um esforço para me recordar dos outros versos. No silêncio da minha memória, quando termino de declamar, já é dia.
Regresso ao presente com o ruído da porta do quarto a abrir e com um sonoro bom dia que me faz estremecer.
Porque grita?
A sua primeira tarefa consiste em abrir as janelas, de par em par, para renovar o ar do aposento.
Traz a seguir uma esponja e começa a higiene do meu corpo frágil e dorido.
Compõe a roupa da cama.
Não fala, só o indispensável. Porque haveria de desperdiçar o seu discurso com alguém que nunca se sabe quando esta lúcido?
Rezo para que tudo termine rapidamente para voltar a ficar sozinho.
Rezo, que ironia! Deixei de rezar em criança e agora volto a fazê-lo!
Quem me visita ao longo do dia, ou melhor, quem espreita pela porta entreaberta, vê sempre o mesmo cenário (peça de teatro inacabada à espera que o pano caia):
Um quarto espartano, de paredes brancas salpicadas de humidade em vários lugares e janelas pintadas de verde, com a tinta estalada a propagar-se em todas as direcções como teias de aranha. Pousam os olhos no leito e no corpo envelhecido, retesado como uma árvore ressequida que morre aos poucos; um monte de ossos que parece querer perfurar a pele (que se assemelha a um mapa-múndi de rugas entrecruzadas).
Desviam os olhos - não vale a pena - eu também desvio os meus.
 Procuro nas gavetas da memória e encontro: Uma velha foto de mulher. Apesar dos anos ainda vislumbro o cintilar do sol, o jogo das sombras na sua pele e o vento despenteando os seus cabelos.
Visito todos os pormenores da fotografia ao compasso de fragmentos de uma melodia romântica:

“Sei de cor cada traço do teu rosto, do teu olhar
Cada sombra da tua voz e cada silêncio,
Cada gesto que tu faças
Meu amor sei-te de cor”

Um leve rumor faz-me olhar para a janela. Lá está a pomba que costumava pousar na janela do quarto ao lado do meu e que comia, sem medo, as migalhas de pão que a velhota deixava no peitoril. Agora vens até à minha, pareces perguntar porque razão aquela janela nunca mais se abriu.
Não te posso dar de comer, amiga, mas posso contar-te uma história. Tens tempo para ouvir um alienado como eu? Ora escuta:
Eu era jovem, talvez um pouco inocente…um dia conheci o amor, uma paixão que…
Atenta neste pedacinho de poema que nos diz que amar:

“É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.”

Espera, não te vás embora, ainda agora comecei, por favor!
Voaste…
Sinto um ardor mas as lágrimas já não me surpreendem como antigamente.
Quem tiver coragem de olhar para dentro dos meus olhos só verá um abismo, um requiem de emoções que ninguém poderá entender, uma cegueira para este mundo, uma noite escura.

“Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado,
Confidente e intérprete da Sorte!”


O pano tarda em cair...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Chegou o Outono

Um tempo em que o sentido de urgência compete com os primeiros ventos.
Ventos em espiral.
Moinhos de Vento.



sábado, 7 de setembro de 2013

Rir

O livro cai com estrépito.
Uma confusão de páginas abertas, capa e contracapa dobradas. Um marcador liberta-se e parece pairar por instantes até pousar longe do caos.
Olho a sua superfície cintilante em que sobressai uma frase:
A nossa maior obrigação é sermos felizes
Começo a rir, primeiro um riso baixo e contido, depois uma gargalhada.
Rio, rio e rio.
E nesse rir, recordo António Patrício:

De que me rio eu?... Eu rio horas e horas 
só para me esquecer, para me não sentir. 
Eu rio a olhar o mar, as noites e as auroras; 
passo a vida febril inquietantemente a rir. 

Eu rio porque tenho medo, um terror vago 
de me sentir a sós e de me interrogar; 
rio pra não ouvir a voz do mar pressago 
nem a das coisas mudas a chorar. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Porquê?

Porque é que a maior parte das pessoas olha primeiro para a  imagem e depois lê o texto? 
Porque é que um "post" acompanhado de uma ilustração tem mais visitantes?
Porque é que  uma grande parte de nós tem  os blogs ornamentados com fotos?
Uma imagem vale, realmente, mais que mil palavras? 




sábado, 3 de agosto de 2013

Sugeriram-me que fosse ler os porquês de não gostar de Agosto…

Mas o “problema” é que eu gosto de Agosto!
O meu Agosto é acordar de manhãzinha, muito cedo, com o gorjeio das andorinhas pousadas no fio de electricidade junto à janela da casa  onde passo férias.
O meu Agosto tem caminhos sem fim, de terra batida, ladeados de giestas, de onde o calor emana com fragrância a verde. Tem erva a secar ao sol, amarelecida (casa de gafanhotos e pequenas borboletas), de cheiro levemente adocicado e inebriante que desce em declive suave até pequenos lagos de água doce, orlados de canaviais, esconderijos perfeitos para  patos-reais e para  guarda rios, relâmpagos azuis. Tem pinheiros altos onde se ouve o crocitar dos corvos. Tem vinhedos onde as uvas começam a ficar coloridas. Tem avelaneiras que deixam cair as primeiras avelãs, ainda nos invólucros, ainda pálidas, ainda imaturas.
O meu Agosto é feito de campos incultos vigiados por aves de rapina mais rápidas que o meu olhar, quase fantasmas onde só os seus gritos ficam no ar.
O meu Agosto é feito de noites claras de luar azul e outras escuras, de chuva de estrelas como em nenhum outro mês.
O meu Agosto tem o coaxar de rãs junto ao tanque de pedra, tem sol quente, aragens frias e algumas tardes com nuvens escuras e trovoadas passageiras.
O meu Agosto é quase tão breve como as efémeras que sobrevoam os riachos e calmo como o silêncio que antecede a transição da tarde para a noite.
Desculpa, mas eu gosto de Agosto!

domingo, 14 de julho de 2013

Medo

O que é ter medo?


terça-feira, 2 de julho de 2013

Eu

O que é “eu”?
Um mero pronome a que os adjectivos dão um corpo?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Também se aprende a amar...

Um pássaro sem penas
Uma estrela que não brilha
Uma poça lamacenta
...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Perguntaste....

O que é sentir a música

Um impulso, um frémito interior
que transforma restrições em capacidades
para além dos limites  físicos.
Clarão azul que mergulha na alma e resgata o grito silencioso
transformando-o em movimento.
Metamorfose. 
Dança.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Porque ontem foi dia 28 de Maio...

Não há vidas sem dificuldades. Tudo aquilo que vivemos, os momentos menos bons e até o pior dos pesadelos, contribuem para a nossa experiência de vida. É nesses momentos, por nós considerados maus, que devemos descobrir os episódios bons. Estes são lições de vida que sempre nos dão energia e nos fortalecem.

É o sofrimento que nos transforma em pessoas mais fortes, tal como sucede quando, a seguir a um dia cinzento, vem sempre um dia claro com um sol radioso e um lindo céu azul.

A felicidade resulta da forma como reagimos aos obstáculos, da maneira como os enfrentamos e como lidamos com eles de forma a ultrapassá-los. Embora por vezes seja difícil de encontrar, temos de ter presente que existe sempre uma solução para o que nos parece ser o pior dos problemas.



domingo, 26 de maio de 2013

Testamento


Um papel-esperança amarrotado
Um mapa das estrelas rasgado.
Uma arca de letras amontoadas.
Uma caixa de sonhos impossíveis.
Uma lata de tinta azul que não é.
Um par de asas retorcidas.

domingo, 12 de maio de 2013

Instantâneos

                                                                        II


Recomeçamos o passeio.
O caminho está atapetado com folhas secas.
Não é uma manhã muito soalheira mas quando o sol aparece sentimos o seu calor trespassar a roupa.
O chão também parece emanar calor. O aroma a eucalipto é intenso.
Passo deliberadamente com as rodas sobre as sementes. Não sei porque o faço.
Um súbito grasnar faz-me erguer a cabeça. Sorrio.
O meu “esquadrão” aponta o norte subindo o rio.
A tua mão aperta o meu ombro. 

domingo, 28 de abril de 2013

Instantâneos


                                                                       I
          
Não falamos enquanto permanecemos ali sentados, a ver deslizar as nuvens cinzentas no céu azul. Não é necessário, o silêncio é aconchegante. Tal como o abraço. Preenche os espaços vazios da alma. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Voar

Não consigo alcançar as estrelas. 
Poderei tocar a lua?

sábado, 16 de março de 2013

Apetece-me

Apetece-me mergulhar na minha poça de água da chuva e levar comigo uma escova.
Apetece-me esfregar cada centímetro de pele para me livrar de uma vez por todas desta opressão que se fixou em mim.
Mas eu sei que ela não está só na pele. Está entranhada em cada pedacinho do meu ser.
Não posso, com uma simples lavagem, libertar-me desta ansiedade.
Estou cansado, desmotivado.
Não quero estar aqui.
Não me apetece e pronto.
Apetece-me…
Gritar, protestar.
Não adianta dizes-me tu.
Pois não e de que adianta a tua passividade?
Vou mergulhar no meu charco diminuto e ficar deitado, quietinho, no fundo lodoso a olhar o firmamento.
E não será uma simples roda que me fará sair.
Talvez se eu avistar uma mancha de um negro azulado riscar o céu num voo rápido.
Talvez…

segunda-feira, 4 de março de 2013

Qué raro eres!


Uma exclamação que já ouvi algumas vezes.

“Quem te fez assim?”
Outras tantas!

Sorrio.
Não sei.
A vida?
Ou sou assim porque sou?

“És um arquitecto de sonhos irrealizáveis.”
“Um vendedor de sonhos impossíveis.”

O denominador comum?
O impraticável!

Teimoso, combativo, inconstante, inseguro.
Estes, que me definem:
Teimoso na vida que não pedi.
Combativo contra quase tudo, até contra mim.
Inconstante no que procuro.
Inseguro no eu que não quero ser, mas que persiste.





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Um abraço também...


Ser feliz depende unicamente do que temos cá dentro, dizem-me.
Talvez tenham razão, mas eu estou a precisar de
Dias solarengos
E das “minhas” andorinhas (estamos quase no final de Fevereiro).
Quem será o primeiro a avistá-las?
Esta “teimosia” em ter esperança…

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Aprender a ver


Estou a ler um livro.
Nada de muito profundo, no entanto este livro está a demorar imenso tempo.
Leio cada página, saboreio cada palavra. Volto a virar a página, recuo várias…
É impressionante como um romance nos pode ensinar tanto.
Cada frase é uma lição de como ver.
O mais estranho, ou talvez não, é que o autor é cego (ah, sim! Eu sei que esta não é, actualmente, a palavra politicamente correcta, mas eu não gosto de ser politicamente correcto).
Quem vê, vê simplesmente, não sabe realmente contemplar o que o rodeia. Só o poderá fazer se aprender com quem…não pode ver!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Era uma vez

Choveu e choveu e choveu.
Uma poça de água transparente.
O fundo atapetado com folhas ainda verdes e recortadas. Um ou outro galho nu. Algumas sementes, tudo reunido pela chuva naquela depressão do caminho.
Um pequeno mundo que sabia ser frio mesmo sem tocar.
Era uma vez uma poça de água onde cabia o meu reflexo.
Encostei uma roda,  ondas agitaram a superfície da água.
Deixei que a roda deslizasse até ao centro. Por entre o tapete de folhas subiu o lodo.
Era uma vez uma poça de água onde houve, um dia, um reflexo.